10/08/2026 01:05

Após tarifaço dos EUA, exportações brasileiras de café caem e Alemanha assume liderança

Volume de vendas caiu 17,5% em agosto; Colômbia surpreende com aumento de 600% nas compras

As exportações brasileiras de café registraram forte retração em agosto de 2025, refletindo os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, até então o principal destino do grão brasileiro. Segundo dados divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país exportou 3,144 milhões de sacas de 60 kg no mês, uma queda de 17,5% em relação a agosto de 2024, quando o volume alcançou 3,813 milhões.

A sobretaxa de 50% imposta pelos EUA no início de agosto afetou diretamente os embarques para o país, provocando um movimento no mercado global e abrindo espaço para a ascensão de outros compradores, como Alemanha e Colômbia.

Alemanha lidera as importações de café brasileiro

Com a queda nos embarques para os EUA, a Alemanha assumiu a liderança nas compras de café brasileiro em agosto, com 414 mil sacas importadas no período. O número supera os 301 mil sacas adquiridas pelos norte-americanos, que tradicionalmente ocupavam o primeiro lugar na lista de importadores.

De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, os negócios com os EUA realizados em agosto ainda refletiam contratos anteriores à entrada em vigor da tarifa, mas a retração já foi significativa. “Isso implicou queda de 46% ante o mesmo mês de 2024 e de 26% contra julho deste ano”, explicou.

Apesar da mudança pontual no ranking mensal, os Estados Unidos ainda ocupam a liderança no acumulado do ano, embora a tendência de retração acenda um alerta para o setor exportador brasileiro.

Colômbia surpreende com salto de 578% nas compras

Em um movimento atípico e estratégico, a Colômbia aumentou em quase 600% o volume de café brasileiro importado em agosto, adquirindo 112 mil sacas, contra apenas 16 mil no mesmo mês de 2024. O salto coloca o país vizinho entre os maiores compradores do grão brasileiro no mês.

Segundo o Cecafé, a Colômbia utilizou o mecanismo de drawback, que permite a importação de insumos sem taxação para uso em produtos que serão exportados posteriormente. O conselho nega que haja qualquer prática de triangulação — manobra considerada ilegal — nesse processo. “Há regras de mercado que precisam ser respeitadas”, reforçou Ferreira.

Preço do café dispara na bolsa de Nova York

Apesar da queda no volume exportado, o faturamento com as vendas de café subiu 12,7% em agosto, totalizando US$ 1,101 bilhão. A valorização é explicada pela disparada nos preços internacionais do café, impulsionados pela volatilidade provocada pelo tarifaço e por fundamentos de mercado.

Desde o dia 7 de agosto, quando a tarifa entrou em vigor, até o fim do mês, a cotação do café arábica na bolsa de Nova York subiu 29,7%, passando de US$ 2,978 para US$ 3,861 por libra-peso.

Ferreira afirma que a alta se soma a uma conjuntura de escassez global. “Há algumas safras com oferta e demanda muito ajustadas, ou até com déficit de oferta, devido a eventos climáticos, especialmente no Brasil. O tarifaço desordenou o mercado e abriu espaço para movimentos especulativos”, explicou.

Impactos a longo prazo

O presidente do Cecafé alerta que, se o tarifaço americano for mantido, as exportações brasileiras para os EUA podem se tornar inviáveis, o que afetará não só os produtores nacionais, mas também os consumidores norte-americanos.

Não há oferta de outros países capaz de suprir a ausência do Brasil no mercado dos Estados Unidos. Isso cria um cenário inflacionário para o consumidor americano, que enfrentará preços ainda mais altos para consumir sua bebida favorita”, concluiu Ferreira.