03/02/2026 05:04

Brasil conquista autorização para exportar sebo bovino a Singapura em meio à diversificação asiática

Produto destinado à produção de biocombustíveis marca 435ª abertura de mercado desde 2023, enquanto agro busca alternativas ao tarifaço americano

O agronegócio brasileiro conquistou mais um importante mercado asiático nesta sexta-feira (12), quando Singapura autorizou a importação de sebo bovino brasileiro para uso industrial, incluindo a produção de biocombustíveis. A decisão representa a 435ª abertura de mercado obtida pelo setor desde 2023, em 72 destinos diferentes.

Singapura como hub estratégico

As autoridades sanitárias da ilha asiática aprovaram a compra do produto brasileiro, reconhecendo o país como fornecedor confiável de matérias-primas competitivas. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a abertura comercial fortalece as relações com um “importante polo logístico e financeiro” na Ásia.

Singapura importou mais de US$ 680 milhões do agronegócio brasileiro no último ano, com destaque para carnes, produtos do setor sucroalcooleiro e outros derivados de origem animal. A aprovação do sebo bovino amplia ainda mais este intercâmbio comercial.

Histórico de expansão comercial

A abertura comercial entre Brasil e Singapura tem se ampliado consistentemente nos últimos anos. Em novembro de 2024, foram autorizadas exportações de lagostas vivas, seguindo aprovações de 2023 que permitiram a compra de carne processada brasileira pelas autoridades singapurenses.

Estratégia de diversificação asiática

A conquista de novos mercados asiáticos ganha relevância estratégica em momento de pressão tarifária americana. Com produtos brasileiros enfrentando tarifa total de 50% nos Estados Unidos, um dos maiores parceiros econômicos do país, o agronegócio nacional intensifica sua busca por alternativas no continente asiático.

Roberto Perosa, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), destacou recentemente as oportunidades diplomáticas para habilitar frigoríficos brasileiros no Japão ainda este ano. Segundo ele, um dos maiores temores americanos é que a venda de miúdos brasileiros – partes internas como língua – seja direcionada para mercados asiáticos.

Expansão no Sudeste Asiático

O movimento faz parte de uma ofensiva comercial mais ampla na região. Em setembro, a Indonésia habilitou 17 novos frigoríficos brasileiros para exportar carne bovina, após inspeções sanitárias realizadas por autoridades indonésias em território brasileiro.

Em março deste ano, o Brasil também ampliou vendas de carne para o Vietnã, durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país. O acordo incluiu um Plano de Ação para Implementação da Parceria Estratégica, fortalecendo o comércio bilateral.

A expansão ganhou impulso após a JBS, maior empresa de carne do mundo, realizar seu primeiro envio de produtos ao Vietnã, abrindo precedente para outros exportadores brasileiros.

Sebo bovino e biocombustíveis

A autorização para exportar sebo bovino a Singapura tem significado estratégico além do valor comercial imediato. O produto, subproduto da indústria frigorífica, encontra crescente demanda internacional para produção de biocombustíveis, setor em expansão global.

Esta utilização agrega valor a produtos que anteriormente tinham mercado mais restrito, demonstrando como a diversificação pode otimizar toda a cadeia produtiva do agronegócio brasileiro.

Reposicionamento geopolítico

A conquista de 435 aberturas de mercado desde 2023 evidencia estratégia deliberada de diversificação geográfica das exportações brasileiras. Com 72 destinos diferentes, o agronegócio nacional reduz dependência de mercados tradicionais e cria alternativas para absorver a produção nacional.

A Ásia emerge como destino prioritário desta estratégia, oferecendo mercados em crescimento, população numerosa e crescente demanda por alimentos e insumos industriais. Países como Singapura, além do valor comercial direto, funcionam como portais de entrada para toda a região.

Impactos da diversificação

A expansão asiática permite ao Brasil reduzir vulnerabilidade a pressões comerciais unilaterais, como as tarifas americanas. Ao mesmo tempo, oferece oportunidades de crescimento em mercados dinâmicos com demanda crescente por produtos brasileiros.

Para o setor de biocombustíveis, especificamente, a abertura de mercados para sebo bovino representa oportunidade de participar da transição energética global, posicionando o Brasil como fornecedor de insumos para energia limpa.

A autorização de Singapura para importar sebo bovino brasileiro simboliza a bem-sucedida estratégia de diversificação do agronegócio nacional, que encontra na Ásia alternativas promissoras aos mercados tradicionais.