03/02/2026 01:20

MS ultrapassa 200 transplantes em 2025 e fortalece papel no cenário nacional

Com base nos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, nos primeiros seis meses de 2025, Mato Grosso do Sul ultrapassou a marca de 200 transplantes de órgãos e tecidos, impactando diretamente a vida de mais de duas centenas de pacientes e suas famílias. Foram 209 procedimentos realizados entre janeiro e junho: 29 de fígado, 3 de pâncreas, 8 de rim e 172 de córnea. O resultado coloca o Estado em posição de destaque no sistema público de saúde e reforça a importância da estrutura instalada para apoiar a rede nacional de transplantes.

Apesar do avanço, o desafio da recusa familiar ainda limita o crescimento do número de doações. Hoje, 654 pessoas aguardam na fila por um transplante apenas em Mato Grosso do Sul. O cenário se repete em grande parte do país e é considerado um dos principais obstáculos para ampliar o acesso a esse tipo de cirurgia.

Para enfrentar esse gargalo, o Ministério da Saúde lançou o Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Prodot). A iniciativa valoriza o trabalho das equipes hospitalares que atuam desde a identificação do potencial doador até a abordagem às famílias, incluindo pela primeira vez um incentivo financeiro vinculado ao desempenho de cada unidade de saúde.

O governo federal estima um investimento anual de R$ 20 milhões para fortalecer a rede de transplantes em todo o Brasil. Desse total, R$ 13 milhões serão direcionados à inclusão de novos procedimentos, como os transplantes de membrana amniótica para queimaduras graves, de intestino delgado e multivisceral. Outros R$ 7,4 milhões vão financiar diretamente o Prodot.

No mesmo pacote de ações, foi lançada a campanha nacional “Doação de Órgãos. Você diz sim, o Brasil inteiro agradece. Converse com a sua família, seja um doador”. O objetivo é reforçar a importância de manifestar em vida a vontade de doar, já que a decisão final depende dos familiares no momento da internação.

As mudanças vêm acompanhadas da oficialização da Política Nacional de Doação e Transplantes (PNDT), agora regulamentada por portaria específica. Entre as novidades estão a ampliação dos centros habilitados, a modernização de exames de compatibilidade, como a prova cruzada virtual, e a oferta de testes de alta precisão, a exemplo do quimerismo para monitoramento de transplantes de medula óssea.

O avanço de Mato Grosso do Sul neste primeiro semestre e as novas medidas nacionais apontam para um futuro em que mais vidas possam ser salvas graças à solidariedade e ao fortalecimento das políticas públicas de saúde.

Angela Schafer, de Campo Grande

Foto: Imagem/Reprodução internet