28/03/2026 19:22

Azeite fica 14% mais barato em um ano; entenda o que fez o preço c

Clima mais favorável na Europa e dólar em queda contribuíram para redução nas prateleiras. Produto teve disparada no preço entre 2023 e 2024.

Depois de mais de dois anos de altas, o azeite finalmente começou a ceder no Brasil. Em setembro, o preço recuou 3,11% em relação ao mês anterior, segundo o IBGE (Índice Nacional de Preços ao Consumidor – IPCA). Foi a 9ª queda mensal consecutiva, e no acumulado de 12 meses, o produto está 14,55% mais barato.

Especialistas identificam três fatores principais que colaboraram para essa retração:

  • Clima mais favorável nos países produtores de azeite na Europa
  • Desvalorização do dólar frente ao real
  • Isenção parcial de imposto sobre importação

“Foi uma junção de todos esses fatores”, sintetiza o professor Carlos Eduardo de Freitas Vian, da Esalq‑USP.
“A queda demorou porque havia estoques comprados a preços altos, mas o recuo já é visível nas prateleiras”, complementa.

Se o cenário permanecer estável, é possível que o azeite fique ainda mais acessível nos próximos meses.

Clima mais amigável nos olivais

Quase 98% do azeite consumido no Brasil é importado, principalmente de Portugal e Espanha. Em 2023, secas severas e calor extremo nas plantações de oliveiras europeias reduziram drasticamente a colheita, pressionando os preços globalmente.

Mas em 2025, o clima está mais ameno — o que favoreceu uma produção melhor e ajudou a aliviar o preço para os consumidores nacionais.

Dólar mais fraco, importações mais baratas

Como o país depende majoritariamente de importações, o valor do azeite flutua conforme a cotação do dólar. No ano, a moeda americana recuou de níveis próximos a R$ 6,20 para algo em torno de R$ 5,45.

Segundo Felippe Serigati, da FGVAgro, essa desvalorização foi determinante para tornar a importação mais barata e repassar o alívio ao consumidor brasileiro.

Imposto zerado: impacto menor, mas real

No início de 2025, o governo federal instituiu a isenção de imposto de importação para o azeite, com o objetivo de conter os preços elevados dos alimentos. A medida colaborou com a queda, embora especialistas a considerem de impacto secundário em relação ao câmbio e ao clima.