Mato Grosso do Sul acaba de avançar em uma das pautas mais estratégicas para o futuro do agronegócio: a rastreabilidade socioambiental da produção rural. Em 24 de outubro de 2025, o Governo do Estado, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), oficializou a adesão à plataforma Selo Verde, em parceria com o programa AL-INVEST Verde, o Centro de Inteligência Territorial da UFMG e o Governo de Minas Gerais.
A medida tem como principal objetivo preparar os produtores sul-mato-grossenses para atender aos marcos regulatórios internacionais, como o novo regulamento da União Europeia para produtos livres de desmatamento, o EUDR (European Union Deforestation Regulation), que entra em vigor nos próximos meses.
“Estamos à beira da implementação do EUDR, e a demanda por rastreabilidade ambiental das nossas propriedades é uma prioridade de curto prazo. Temos cadeias produtivas com forte presença no mercado europeu e precisamos garantir o fluxo contínuo dessas exportações”, afirmou o secretário adjunto Artur Falcette.
O que é o Selo Verde?
Desenvolvida pelo CIT/UFMG com apoio da União Europeia, a plataforma Selo Verde utiliza dados geoespaciais, mapas e informações ambientais para comprovar que as propriedades rurais cumprem os critérios de sustentabilidade exigidos pelos mercados internacionais.
A ferramenta já está em operação em Minas Gerais, onde monitora mais de 1 milhão de propriedades rurais, e se destaca como referência em transparência, governança ambiental e conformidade legal.
Agora, com a adesão de Mato Grosso do Sul, a expectativa é criar um modelo digital próprio de análise da conformidade socioambiental das propriedades inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Benefícios para o agronegócio sul-mato-grossense
A implantação da plataforma Selo Verde permitirá:
- Avaliar a sustentabilidade das principais cadeias produtivas do estado, como soja, milho e pecuária;
- Consolidar dados sobre uso do solo, cobertura vegetal e regularidade ambiental;
- Demonstrar com clareza e tecnologia que o agro do MS é produtivo e responsável;
- Manter mercados estratégicos abertos, especialmente a União Europeia;
- Ampliar a competitividade internacional com rastreabilidade de ponta e respeito às normas globais.
“Não se trata apenas de ajustar processos, mas de elevar o padrão de quem produz no Estado. A plataforma será o instrumento que permitirá ao produtor provar que sua produção é sustentável, rastreável e ética”, reforçou o secretário Jaime Verruck.
Integração com o cenário internacional
A entrada do MS no projeto também reforça o compromisso com a economia de baixo carbono e os novos modelos produtivos exigidos pelo comércio internacional. O Selo Verde está alinhado às diretrizes do programa AL-INVEST Verde, financiado pela União Europeia, que incentiva o crescimento sustentável e a geração de empregos na América Latina por meio da digitalização, inovação e responsabilidade ambiental.
Próximos passos
Com o termo de cooperação assinado, as equipes técnicas do Estado, da UFMG e do AL-INVEST Verde irão iniciar o processo de adaptação da plataforma para a realidade sul-mato-grossense. A expectativa é de que, nos próximos meses, as primeiras propriedades comecem a ser analisadas, possibilitando um selo de conformidade confiável e internacionalmente aceito.
“Estamos falando de um novo patamar para o agro do MS. De um agronegócio que alia produtividade, conservação e inserção global com integridade e dados”, concluiu Verruck.








