03/02/2026 08:58

MS registra média de uma mulher agredida por hora entre a véspera e o dia de Natal

O período de Natal em Mato Grosso do Sul foi marcado por uma onda de violência doméstica, com o registro de ao menos 25 mulheres agredidas entre a véspera e o feriado desta quinta-feira. Os dados, extraídos do Sistema Integrado de Gestão Operacional (Sigo), revelam ocorrências em 18 municípios do estado. O levantamento aponta que a maioria dos ataques aconteceu no ambiente familiar, tendo o consumo excessivo de álcool como um fator presente em quase todos os relatos policiais.

Um dado que chama a atenção das autoridades é a baixa adesão aos mecanismos de proteção legal. Das 25 vítimas atendidas, apenas 9 manifestaram interesse em solicitar ou manter medidas protetivas de urgência. As outras 16 mulheres optaram por não representar criminalmente contra os agressores ou desistiram da proteção judicial, mesmo em cenários de lesões graves, ameaças com armas e reincidência de violência.

Em Campo Grande, um caso emblemático envolveu uma mulher de 42 anos agredida com socos e chutes pelo ex-companheiro. Apesar de possuir uma medida protetiva ativa, ela havia reatado o convívio com o agressor dias antes do Natal. Mesmo com ferimentos visíveis no rosto e nos membros, a vítima recusou atendimento médico, pediu para que o homem não fosse preso e solicitou a revogação da sua própria proteção judicial. Comportamento semelhante foi observado em Três Lagoas, onde uma mulher desistiu da denúncia após o companheiro arrombar portas e ameaçar familiares com uma faca.

No interior do estado, a gravidade das ocorrências variou entre agressões físicas e tentativas de feminicídio. Em Jardim, uma jovem de 21 anos foi esfaqueada na perna pelo companheiro durante a madrugada de Natal e precisou de socorro médico. Já em Aparecida do Taboado, uma mulher de 44 anos foi perseguida e enforcada em via pública por um agressor embriagado. Diferente da maioria, nestas duas cidades as vítimas decidiram levar o processo adiante e solicitaram o afastamento imediato dos agressores.

O relatório policial também destaca o descumprimento sistemático de ordens judiciais em cidades como Ponta Porã, Aquidauana e Paranaíba. Em muitos desses casos, agressores e vítimas continuam convivendo sob o mesmo teto, ignorando as restrições legais. Em Paranaíba, uma confusão generalizada na delegacia envolveu um ex-policial penal, sua ex-companheira e sua atual esposa, evidenciando o cenário de vulnerabilidade e a complexidade das relações que alimentam o ciclo da violência doméstica no estado.

Canais de Denúncia e Ajuda em MS
Para interromper o ciclo de violência, as autoridades reforçam que existem diversos canais de atendimento disponíveis 24 horas por dia:

Emergência: Ligue 190 (Polícia Militar).
Denúncia e Informação: Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher).
Denúncia Anônima: Ligue 181.
WhatsApp Nacional: (61) 99656-5008.
Delegacia Virtual: O registro de ocorrências pode ser feito pelo site oficial da Polícia Civil de MS, na aba Violência contra a Mulher.
Medida Protetiva Online: Disponível pelo portal do Tribunal de Justiça de MS (atualmente em funcionamento para Campo Grande).
Casa da Mulher Brasileira (Campo Grande): Atendimento presencial 24h na Rua Brasília, Lote A, Quadra 2, Jardim Imá. Telefone: (67) 2020-1300.
CEAMCA: Apoio psicológico e social pelo telefone 0800-067-1236.

Jornal MS Agora – Imagem: Reprodução internet