10/02/2026 22:51

Bancada de Mato Grosso do Sul é a favor da CPI do Banco Master

A maioria da bancada federal de Mato Grosso do Sul defende a criação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar as fraudes financeiras do Banco Master. Dos 11 deputados federais e senadores, 10 já assinaram pelo menos um dos quatro pedidos que circulam no Congresso Nacional.

De acordo com levantamento do Congresso em Foco, os três sul-mato-grossenses, Nelsinho Trad (PSD), Tereza Cristina (PP) e Soraya Thronicke (Podemos), assinaram o pedido de investigação no Senado. Na Câmara dos Deputados, o requerimento apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB) já tem as assinaturas dos deputados Beto Pereira (PSDB), Geraldo Resende (PSDB), Camila Jara (PT), Marcos Pollon (PL) e Rodolfo Nogueira (PL).

A maior adesão da bancada sul-mato-grossense é ao pedido da oposição para a criação de CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito). O requerimento do deputado Carlos Jordy (PL) já tem a assinatura dos senadores Nelsinho Trad (PSD), Tereza Cristina (PP), Beto Pereira (PSDB) e dos deputados federais Luiz Ovando (PP), Marcos Pollon (PL) e Rodolfo Nogueira (PL).

Segundo o placar do Congresso em Foco, o requerimento de CPMI do PSOL e Rede também tem assinaturas de Mato Grosso do Sul: da senadora Tereza Cristina e do deputado federal Beto Pereira.

Ao Campo Grande News, o senador Nelsinho Trad (PSD) apontou que assinou os requerimentos porque acredita que, mesmo com outras investigações em curso, o trabalho parlamentar é necessário para garantir mais transparência no caso.

O deputado federal Geraldo Resende ressaltou que, apesar do cunho político que as comissões parlamentares de inquérito assumem, a investigação é importante. “Quem não deve, não teme. Sou favorável a todas as investigações para mostrar de onde veio esse rombo, quais os agentes políticos que sempre deram apoio ao [banqueiro Daniel] Vorcaro”, disse.

Para o deputado Rodolfo Nogueira, a abertura da comissão cumpre o papel de expor os fatos. “Defendo que qualquer investigação ocorra com independência, imparcialidade e compromisso com a verdade”, defendeu.

Além de assinar os requerimentos para abertura de CPI e CPMI, o deputado federal Marcos Pollon reforçou a mobilização apresentando mais dois pedidos de investigação parlamentar. “Esse caso é muito mais grave que a Lava Jato. Esse é o maior escândalo que poderia se acometer sobre uma nação, pois os seus protagonistas são membros da mais alta corte”, disse.

Já o deputado federal Dagoberto Nogueira, líder da bancada, mesmo defendendo a investigação, ainda não assinou nenhum dos pedidos. Segundo o tucano, há negociações internas do Congresso para incluir a investigação das fraudes financeiras do Banco Master na CPI do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). “Como tem coisas ligadas, pode integrar as investigações. Se for junto com a investigação do INSS, é até melhor porque já tem CPI formada”, explicou.

À reportagem, a assessoria do deputado federal Vander Loubet (PT) informou que hoje irá assinar o requerimento apresentado pela base do governo.

Fraude financeira – O Banco Master teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, que verificou a falta de lastro para as movimentações realizadas. Houve desrespeito a regras de regulação do setor bancário e deficiência no controle de risco, crédito e gestão de capital. O caso é apontado como o maior rombo no setor.

No caso de previdências públicas que investiram em fundos ligados ao banco e não há certeza de recebimento, são cerca de R$ 2 bilhões. Parte dos investidores está conseguindo reaver investimentos até o limite assegurado pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), formado por depósitos dos bancos. O rombo do Master comprometeu metade dessa receita. O dono, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso e agora é investigado pela Polícia Federal.

Fernanda Palheta – Campo Grande NewsFoto: Reprodução