13/02/2026 18:50

Com mais de 2,3 mil registros, MS tem quase 60 vítimas de violência doméstica por dia em 2026

Mato Grosso do Sul começou 2026 com um cenário alarmante de violência contra a mulher. Nos primeiros 40 dias do ano, 2.343 mulheres foram vítimas de violência doméstica no Estado, o que representa uma média de aproximadamente 59 casos por dia. A maior parte das ocorrências envolveu mulheres com idade entre 30 e 59 anos, agredidas dentro da própria residência, ambiente que deveria representar segurança, mas que tem se tornado o principal palco dos crimes.

Dados do Monitor da Violência contra a Mulher apontam que, na maioria das situações, o agressor mantém ou manteve relação afetiva com a vítima. Entre 1º de janeiro e 9 de fevereiro, ao menos 342 registros foram cometidos por cônjuges, evidenciando que grande parte das agressões parte de pessoas em quem as vítimas depositavam confiança e construíram laços familiares.

Além dos milhares de casos de violência doméstica, o Estado já contabiliza três feminicídios neste início de ano, crimes que evidenciam o grau extremo da violência de gênero. O caso mais recente ocorreu no município de Selvíria, onde uma mulher foi assassinada pelo marido, com quem mantinha relacionamento há mais de 30 anos.

O segundo feminicídio foi registrado em Corumbá, na noite de 24 de janeiro, quando uma mulher foi morta após ser brutalmente agredida pelo ex-companheiro. Já o primeiro caso do ano aconteceu em 16 de janeiro, na região de Damacuê, distrito rural de Bela Vista, onde a vítima foi assassinada pelo marido, que tirou a própria vida após o crime.

A capital Campo Grande lidera o ranking estadual de registros de violência doméstica. Até 9 de fevereiro, foram contabilizadas 787 ocorrências, sendo 168 apenas neste mês. Entre os episódios mais recentes está o caso de uma mulher de 43 anos que foi agredida e ameaçada de morte pelo próprio filho, situação que reforça que a violência também pode ocorrer dentro das relações familiares mais próximas.

Depois da Capital, os municípios com maior número de registros são Dourados, com 190 casos, Três Lagoas, com 118, e novamente Corumbá, com 104 ocorrências.

Os números revelam um cenário preocupante e reforçam o desafio das autoridades e da sociedade em combater a violência de gênero, ampliar os canais de denúncia e fortalecer redes de apoio capazes de interromper ciclos de agressão que, muitas vezes, permanecem invisíveis até culminarem em tragédias irreversíveis.

 Angela Schafer, de Campo Grande – Foto: Imagem ilustrativa / reprodução internet