Os transportadores de carga em Mato Grosso do Sul tiveram prejuízos de R$ 229,86 milhões no ano passado por causa da má qualidade das rodovias no Estado, apontam estudos da Confederação Nacional do Transporte (CNT).
Este valor leva em conta apenas o consumo excessivo de 38,8 milhões de litros de diesel em virtude de 42,3% dos 4.739 km do pavimento das estradas apresentarem falhas.
Além das condições da pista, a entidade constatou que 41,7% da extensão das rodovias apresentam algum tipo de problema; 12,2% da extensão têm sinalização insuficiente; e 43,4% da extensão têm deficiência na geometria da via, de acordo com o Guia CNT de Segurança nas Rodovias Brasileiras 2026, divulgado este mês.
A CNT avaliou no ano passado 4.739 km de rodovias em Mato Grosso do Sul, que representam 4,1% do total pesquisado no Brasil, constatando de maneira geral que apenas 11,2% da extensão avaliada foram classificadas como ótimo.
Outros 47,1% estão em bom estado. Já 40,6% são regular, 0,9% ruim e 0,2% péssimo. Nestes últimos trechos, quatro pontos são críticos.
Também foi constatado que falta acostamento em 38,9% dos trechos avaliados e 36,1 % dos trechos com curvas perigosas não têm sinalização. As pistas simples predominam em 95,5% das rodovias.
São estes problemas que contribuem para o aumento de gastos pelos transportadores de cargas em Mato Grosso do Sul, de acordo com a CNT.
A entidade aponta que em 2025, “estima-se que houve um consumo excessivo de 38,8 milhões de litros de diesel devido à má qualidade do pavimento da malha rodoviária no Estado.
Esse desperdício gerou um prejuízo R$ 229,86 milhões aos transportadores e uma emissão de 101,07 mil toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera.
Isso representa uma elevação de 24,8% no custo operacional, que se reflete na competitividade do Brasil e no preço dos produtos”, afirma o documento Pesquisa CNT de Rodovias de 2025, que é realizado há 30 anos.
Para o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, “esta edição [da pesquisa] reforça uma mensagem essencial: aplicar recursos de forma planejada gera resultados concretos. O levantamento já aponta avanços, ainda que modestos, provenientes dos investimentos recentes realizados em diferentes níveis de governo.
A CNT reconhece esses esforços e o comprometimento do poder público e da iniciativa privada em ampliar e qualificar a malha rodoviária brasileira.
Mesmo assim, os dados mostram que ainda há um longo caminho a percorrer e que a ampliação dos aportes destinados ao setor é fundamental para que o país alcance o padrão de infraestrutura que sua economia e sua população requerem”, enfatizando que “a melhoria das rodovias demanda planejamento de longo prazo, continuidade das políticas públicas e compromisso conjunto entre governo e entes privados.
Somente com investimentos consistentes e permanentes será possível garantir segurança, eficiência logística e competitividade ao transporte brasileiro”.
A entidade afirmou que do total de R$ 389,46 milhões autorizados pelo governo federal para infraestrutura rodoviária em Mato Grosso do Sul no ano passado no Orçamento da União, tinham sido investidos R$ 224,82 milhões até novembro de 2025, o que correspondia a 57,7%.
Também aponta que são necessários investir R$ 4,44 bilhões para recuperar as rodovias no Estado, com ações emergenciais (reconstrução e restauração) e manutenção.
Esta má conservação das estradas em Mato Grosso do Sul não causa só o aumento dos custos para o transporte de cargas, também contribuiu para acidentes.
A CNT fez um levantamento que aponta 1.653 acidentes nas rodovias federais entre janeiro e dezembro do ano passado, com de 150 mortes, o que representa 9 mortes a cada 100 acidentes.

BRASIL
A CNT analisou também a diferença na qualidade do pavimento entre os modelos de gestão pública e privada. Enquanto as rodovias concedidas têm 65,6% de sua malha classificada como ótimo ou bom, as sob gestão pública atingem apenas 35,6% nessas mesmas categorias.
As rodovias sob gestão pública enfrentam um desafio maior em relação à manutenção da qualidade do pavimento, com mais de 40% de sua extensão classificada como regular e 23,7% em estado ruim ou péssimo.
O porcentual de rodovias concedidas em estado ruim ou péssimo é de apenas 7,5%, mas 26,9% dos trechos avaliados apresentam condição regular.
Estes dados, segundo o documento, “não apenas demonstram a necessidade de aumentar e manter os investimentos nas rodovias, tanto públicos quanto privados, mas também sugerem a expansão de modelos de gestão mais eficientes para reverter o cenário de deterioração da malha rodoviária pública – e, consequentemente, reduzir os custos logísticos do País – e aprimorar a qualidade do pavimento das rodovias concedidas”.
CLODOALDO SILVA, DE BRASÍLIA – CORREIO DO ESTADO/FOTO: RODOLFO CÉSAR







