07/03/2026 19:24

Mulheres ocupam quase 40% da Polícia Científica e atuam em perícias em MS

Da análise de vestígios em cenas de crime até exames laboratoriais e identificação por digitais, mulheres participam de diferentes etapas do trabalho pericial na Polícia Científica de Mato Grosso do Sul. Atualmente, elas representam cerca de 40% do efetivo da instituição e atuam em áreas essenciais para a produção de provas técnicas utilizadas nas investigações.

Antes mesmo que exames laboratoriais ou médico-legais sejam realizados, o trabalho começa diretamente no local do fato. É nesse momento que vestígios são identificados, registrados e preservados, servindo de base para as análises posteriores que auxiliam no esclarecimento de ocorrências.

A perita criminal Karla Gonçalves da Cruz, que ingressou na instituição em 2014 e atualmente atua no Núcleo de Perícias Externas, no setor de Crimes Contra a Vida, em Campo Grande, explica que a preservação do local é a primeira preocupação da equipe.

Perita criminal examina vestígio com lanterna em laboratório da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul
Perita criminal Karla Gonçalves da Cruz realiza exame de vestígio utilizando luz forense em laboratório – (Foto: PCi/MS)

“Minha primeira preocupação é identificar a área onde se encontram os vestígios e verificar se essa região está devidamente isolada e preservada. Isso é fundamental para garantir que os elementos presentes no local sejam mantidos íntegros”, afirmou.

Com mais de 11 anos de atuação na área, Karla já trabalhou no Núcleo Regional de Criminalística de Corumbá e no Departamento de Apoio às Unidades Regionais antes de integrar a equipe responsável pelos atendimentos na Capital.

Segundo ela, a análise de uma cena exige atenção a todos os elementos encontrados, já que, em muitos casos, não é possível identificar imediatamente quais vestígios terão relevância para a investigação.

“Em muitos casos há grande quantidade de elementos no local e naquele momento ainda não é possível identificar completamente o que é relevante. Por isso é essencial realizar um levantamento detalhado e minucioso”, explicou.

Parte do material recolhido em locais de crime segue para análises especializadas em diferentes áreas da perícia, como DNA, documentoscopia e balística, realizadas em laboratórios da Polícia Científica.

Exames médico-legais

Na área da medicina legal, os exames contribuem para esclarecer circunstâncias de diferentes ocorrências. A perita médica-legista Taís Cristina Zottis Barsaglini, que atua há três anos no Instituto de Medicina e Odontologia Legal e na Casa da Mulher Brasileira, destaca a importância da produção de prova técnica.

Perita médica-legista coloca luvas de proteção antes de procedimento em ambiente pericial.
A médica-legista Taís Cristina Zottis Barsaglini coloca luvas e equipamentos de proteção antes de exame pericial – (Foto: PCi/MS)

“O exame médico-legal traz clareza e materialidade sobre os fatos. Ele pode documentar casos de violência física, sexual ou ainda esclarecer a causa de óbitos violentos, como acidentes de trânsito ou homicídios”, explicou.

As conclusões são registradas em laudos técnicos, elaborados com base em evidências científicas.

“Um laudo tecnicamente fundamentado reúne todas as conclusões com base em evidências e respeitando o passo a passo pericial para que seja confiável”, afirmou.

Mesmo diante de situações sensíveis, ela ressalta que o trabalho exige foco no rigor técnico.

“Quando comecei a trabalhar nessa área percebi que é impossível não se sentir incomodada com algumas situações de violência e vulnerabilidade humana. Mas tento me manter focada nas evidências e nos fatos concretos.”

Rafael Rodrigues, A Crítica – Fotos: PCi/MS