A expansão das plantações de eucalipto e os impactos da cadeia da celulose na Costa Leste de Mato Grosso do Sul foram debatidos nesta semana durante reunião da Comissão de Desenvolvimento Agrário, Assuntos Indígenas e Quilombolas da Assembleia Legislativa. O encontro reuniu pesquisadores, representantes do setor produtivo, Ministério Público, vereadores e lideranças de comunidades da região conhecida como Vale da Celulose.
Atualmente, o plantio de eucalipto ocupa cerca de 2 milhões de hectares no Estado, que se consolidou como um dos principais polos nacionais de produção florestal. As conclusões da reunião serão levadas pelo deputado estadual Zeca do PT ao Ministério do Meio Ambiente e ao Ibama, em Brasília, nesta segunda-feira, com o objetivo de abrir diálogo sobre possíveis medidas relacionadas aos impactos ambientais da atividade.
Durante o debate, o promotor Luciano Loubet alertou para a necessidade de maior atenção no avanço da silvicultura. Segundo ele, desde 2007 o plantio de florestas comerciais foi dispensado de licenciamento ambiental, o que pode favorecer grandes áreas contínuas de monocultura e provocar fragmentação de habitats naturais.
Pesquisadores também demonstraram preocupação com possíveis reflexos ambientais. O climatologista Mário Henrique, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), afirmou que a região do Bolsão apresenta sinais de mudanças no regime de chuvas. Já a professora de Geografia Marine Dubos destacou impactos na produção leiteira local após a mudança no uso do solo em áreas ocupadas pelo eucalipto.
Representantes de municípios da região também apresentaram relatos sobre nascentes e cursos d’água que estariam sendo afetados pelo avanço do plantio.
Por outro lado, representantes do setor produtivo defenderam a atividade. Benedito Mário Lázaro da Reflore, afirmou que as empresas seguem normas ambientais e que grande parte das áreas utilizadas já estava degradada antes da implantação dos plantios. Segundo ele, a silvicultura trouxe investimentos, geração de empregos e melhorias na infraestrutura regional.
Ana Cristina Santos, RCN 67 – Foto: Divulgação







