16/03/2026 16:33

Rota Bioceânica ganha ritmo com construção de viaduto e estruturas de drenagem em Porto Murtinho

Em Porto Murtinho, cidade de pouco mais de 15 mil habitantes na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, o cenário de máquinas, vigas e trabalhadores espalhados pelo canteiro de obras tem se tornado cada vez mais comum. Aos poucos, a estrutura que vai integrar o Corredor Rodoviário Bioceânico começa a ganhar forma, transformando a rotina da região e reforçando a expectativa de que o município deixe de ser apenas um ponto final de estrada para se tornar uma porta de saída do Brasil para o Oceano Pacífico.

No sábado (14), homens e equipamentos trabalhavam simultaneamente em diferentes frentes da obra. Entre os destaques está a construção de um viaduto com mais de 700 metros de extensão, que já começa a receber vigas estruturais para a instalação das pré-lajes. Em outros trechos do complexo viário, as pré-lajes já foram concretadas e passam por etapas de acabamento. As estruturas de drenagem, essenciais para o escoamento das águas e estabilidade da pista, também avançam para a fase final.

As intervenções fazem parte do conjunto de obras que dará acesso à Ponte Internacional sobre o Rio Paraguai, ligação física entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai. A ponte principal tem previsão de entrega para agosto deste ano e representa um dos marcos mais aguardados do projeto.

O corredor bioceânico é considerado uma das iniciativas logísticas mais ambiciosas da América do Sul. A rota vai conectar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, criando um caminho terrestre para escoamento de mercadorias até os portos do Pacífico. Na prática, isso significa encurtar a rota marítima das exportações brasileiras em cerca de 9,7 mil quilômetros, o que pode reduzir em até 17 dias o tempo de viagem de produtos destinados à Ásia.

A obra no lado brasileiro é executada pelo Consórcio PDC Fronteira, formado pelas empresas Caiapó Construtora, DP Barros Produções e Construções e Paulitec Construções. O investimento é de R$ 572 milhões, com recursos do Novo PAC, sob contratação e fiscalização do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Além do viaduto e das pontes, o projeto também prevê a construção de um Centro Aduaneiro de Controle de Fronteira, com estruturas para imigração e fiscalização de cargas. O objetivo é permitir que o fluxo de veículos e mercadorias entre os países ocorra de forma mais ágil e integrada.

 
De acordo com o Dnit, as obras de adequação e construção do acesso à ponte estão com cerca de 31,7% de execução. Já a restauração do pavimento e a ampliação da capacidade da rodovia no trecho entre os quilômetros 577,8 e 678,1 alcançaram 59,7% de conclusão, com investimento estimado em R$ 254 milhões.

Enquanto isso, no lado paraguaio da fronteira, também há avanços importantes. A pavimentação da Picada 500, que dá continuidade à rodovia PY-15, segue em andamento por cerca de 224 quilômetros, ligando Carmelo Peralta até Pozo Hondo, no departamento de Boquerón.

Apesar do ritmo das obras principais, ainda existem desafios na infraestrutura complementar. Segundo o coordenador nacional do Corredor Rodoviário Bioceânico e chefe da divisão de integração de infraestrutura do Itamaraty, João Carlos Parkinson, ainda faltam cerca de R$ 200 milhões para a execução de obras secundárias, como parte da terraplanagem, pontes adicionais e estruturas do setor de controle integrado.

Mesmo assim, o avanço visível das estruturas já começa a mudar a paisagem de Porto Murtinho e reforça o papel estratégico da cidade no novo mapa logístico da América do Sul.

Quando o corredor estiver plenamente operacional, a expectativa é que a região se consolide como um importante eixo de integração comercial, conectando a produção do Centro-Oeste brasileiro aos mercados internacionais com mais rapidez e competitividade.

Ricardo Eugênio – A CríticaFoto: Toninho Ruiz