16/03/2026 16:35

Medicamentos terão novo reajuste e podem subir até 3,81% a partir de abril

Percentuais definidos pela Câmara de Regulação do Mercado de medicamentos variam conforme o nível de concorrência de cada produto. Além disso, eles não representam aumento automático em todos os casos.

O reajuste de medicamentos já tem novos percentuais definidos para entrar em vigor a partir de abril. O impacto máximo autorizado poderá chegar a 3,81%, conforme a faixa de concorrência de cada produto no mercado. A definição foi feita pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. Esse órgão estabeleceu três níveis de aumento possíveis para este ciclo.

Pela regra divulgada, os remédios com maior concorrência poderão ter reajuste de até 3,81%. Já os medicamentos classificados no nível intermediário poderão aplicar alta de até 2,47%. No grupo de menor concorrência, o limite autorizado ficou em 1,13%. A diferença entre as faixas reflete o modelo regulatório adotado para o setor, que considera o ambiente concorrencial de cada categoria de produto.

O dado chama atenção porque, no nível médio, o percentual definido para 2026 é o menor desde 2018. O contraste com o ano passado ajuda a dimensionar essa redução: em 2025, os medicamentos enquadrados na faixa intermediária tiveram reajuste de 3,83%. Assim, embora os preços possam subir novamente, o percentual autorizado para parte importante do mercado ficou abaixo do patamar recente.

Impacto do Reajuste e Decisão da CMED

Ainda assim, a definição da CMED não significa que todos os remédios terão aumento imediato ou integral. Segundo o secretário-executivo do órgão, Mateus Amâncio, os percentuais estabelecidos não são de aplicação automática. Muitas empresas podem optar por não repassar o reajuste em sua totalidade. Isso ocorre porque o índice funciona como teto permitido, e não como obrigação uniforme de reajuste para toda a cadeia farmacêutica.

Outro ponto relevante é que nem todas as empresas praticam o preço máximo autorizado no mercado. Por isso, mesmo com a nova atualização regulatória, o valor final pago pelo consumidor pode variar. Essa variação depende da política comercial adotada por laboratórios, distribuidores e farmácias. Na prática, o reajuste abre a possibilidade de aumento. Contudo, a intensidade desse movimento pode mudar de acordo com cada medicamento e com a estratégia de venda adotada.

Com a mudança prevista para o início de abril, o tema volta a pressionar o orçamento de quem depende de tratamento contínuo. Ao mesmo tempo, a definição da CMED mantém o padrão de controle anual do setor. Ela também delimita o espaço máximo para reajustes no mercado de medicamentos. O efeito concreto dessa atualização, porém, só deverá ser percebido com clareza na ponta. Isso acontecerá à medida que as empresas decidirem quanto do teto autorizado será efetivamente aplicado nos preços ao consumidor.

Adriano Hany, RCN 67 – Foto: Gerada por IA | Adriano Hany