03/04/2026 16:59

Mercado do boi gordo mantém alta após gado chinês contrair febre aftosa

A China encontrou o vírus da febre aftosa entre um rebanho bovino nas regiões de Gansu e Xinjiang. Ao todo, 219 animais foram infectados com a doença, em dois grupos que, somados, têm mais de 6 mil cabeças de gado.

O abate dos animais afetados e a desinfecção das áreas foram algumas das medidas adotadas imediatamente pelos chineses para conter o avanço da febre aftosa.

Entre os bovinos infectados, o diagnóstico apontou a presença do sorotipo SAT1, ainda não registrado anteriormente no país. Segundo especialistas, a principal preocupação é neste ponto da ausência de proteção vacinal, pois esse vírus não faz parte da vacina que a China possui.

Febre aftosa
A febre aftosa é uma doença altamente contagiosa e às vezes fatal, reduzindo a produtividade do rebanho -ataca animais com casco fendido, principalmente bovinos, suínos, ovinos e caprinos. Mas não apresenta perigo para humanos.

A China reportou um surto em porcos na província central de Hubei, no mês passado. O rebanho de suínos da China é geralmente afetado por doenças, incluindo a doença da orelha azul, um problema particular em 2008 que levou à escassez de carne de porco e a um aumento dos preços da carne.

Mercado do boi gordo
Com os fatos noticiados, o mercado do boi gordo volta a ter elevação nos preços da arroba. Com a dificuldade na aquisição dos bovinos, as escalas de abate se mantêm encurtadas. 

O preço médio do boi gordo, registrado nesta quinta-feira, em Mato Grosso do Sul, foi de R$ 356,36, enquanto que ontem (1) foi de R$ 351,93.

O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, em entrevista ao Canal Rural, disse que o caso na China deve manter o alerta ligado.

“Se for apenas um caso isolado não haverá grandes alterações em relação a dinâmica já estabelecida em torno das exportações. A China pode se tornar mais presente no contexto da importação se a doença se alastrar pelo país a ponto de prejuidicar de maneira mais incisiva o rebanho, o que por enquanto não parece ser o caso”, concluiu o analista.

JOÃO PEDRO FLORES – CORREIO DO ESTADO