10/04/2026 17:56

MS mantém superávit comercial com US$ 2,51 bilhões em exportações

Mato Grosso do Sul manteve o superávit em sua balança comercial, registrando US$ 2,51 bilhões em exportações no primeiro trimestre de 2026, conforme dados da Semadesc divulgados nesta quinta-feira (09/04), impulsionado principalmente pelo setor agropecuário.

Apesar da leve retração de 1,66% no valor das exportações em relação ao mesmo período de 2025, o volume exportado por Mato Grosso do Sul cresceu 11,83%, totalizando 6,82 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026. As importações, por sua vez, atingiram US$ 751,58 milhões, um crescimento de 10,10% na comparação anual. Com isso, o saldo da balança comercial do estado permanece positivo em US$ 1,76 bilhão, embora 5,93% inferior ao registrado em 2025.

Os dados foram compilados na Carta de Conjuntura do Setor Externo, elaborada pela Assessoria Especial de Economia e Estatística da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

No período analisado, a soja voltou a ocupar a primeira posição entre os produtos exportados, superando a celulose.

Agronegócio impulsiona resultados

O setor agropecuário foi o principal motor do desempenho positivo da balança comercial sul-mato-grossense, apresentando crescimento tanto nos preços (11,11%) quanto no volume exportado (11,41%). O secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Artur Falcette, atribuiu o cenário a fatores internacionais.

“O resultado reflete um cenário internacional de pressão sobre preços de commodities, associado à elevada oferta global e à instabilidade geopolítica, que tem limitado o crescimento do valor exportado, apesar do aumento do volume embarcado”, explicou Falcette.

Pauta exportadora e destinos

A pauta exportadora de Mato Grosso do Sul segue com forte concentração em produtos do agronegócio. A soja lidera as exportações com 28,32% de participação, seguida pela celulose (27,41%) e pela carne bovina (19,38%). Outros produtos de destaque incluem farelo de soja, carnes de aves e milho. No acumulado do primeiro trimestre, a soja superou a celulose como principal produto exportado pelo estado.

Em relação às importações, o gás natural se destaca como o principal item, representando 24,21% do total adquirido pelo estado. Caldeiras de geradores de vapor (16,74%) e álcoois e derivados (9,65%) também figuram entre os produtos mais importados. A retomada do gás natural como principal produto de importação marca um retorno à tendência histórica, após as caldeiras de geradores de vapor terem liderado no bimestre anterior.

A China mantém sua posição como o principal parceiro comercial de Mato Grosso do Sul, absorvendo 44,84% das exportações estaduais. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar (8,58%), seguidos pelos Países Baixos (4,35%) e Itália (3,0%). Apesar do cenário externo, houve uma maior concentração das exportações de MS para os EUA em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Logística e municípios exportadores

A logística para o escoamento da produção de Mato Grosso do Sul permanece concentrada nos portos das regiões Sul e Sudeste do Brasil. O Porto de Paranaguá lidera com 40,83% das exportações, seguido de perto pelo Porto de Santos (38,27%). O Porto de São Francisco do Sul é responsável por 9,37% das exportações.

Entre os municípios sul-mato-grossenses, Três Lagoas se destaca como o principal exportador do estado, contribuindo com 18,94% do total. Ribas do Rio Pardo (12,01%), Dourados (9,87%) e Campo Grande (7,59%) também apresentam participação significativa nas exportações.

Setores e cenários futuros

Na análise por setores, a indústria de transformação registrou quedas tanto nos preços (-3,0%) quanto no volume exportado (-2,68%). Já a indústria extrativa apresentou um comportamento distinto, com uma forte redução nos preços (-45,29%), mas um crescimento expressivo no volume exportado (42,36%).

Além da agropecuária, o segmento de “outros produtos” também mostrou desempenho positivo, com alta de 7,16% nos preços e 34,97% no volume. A cotação média do dólar em março de 2026 foi de R$ 5,23, registrando uma leve alta de 0,59% em relação a fevereiro, mas uma queda de 8,96% na comparação com março de 2025.

A série histórica revela que Mato Grosso do Sul tem mantido um padrão consistente de superávits comerciais desde 2015. Este desempenho é impulsionado principalmente por commodities agrícolas e produtos industriais, com as exportações superando significativamente as importações.

Ricardo Eugênio – A Crítica/Foto: Imagem ilustrativa/IA