A Expogrande 2026 tem exibido mais do que negócios milionários e estandes de grande porte. Em Mato Grosso do Sul, a feira também passou a refletir uma mudança no modo como empresas do agronegócio tratam quem está na linha de frente das vendas. A valorização de colaboradores e parceiros comerciais ganhou espaço em meio às metas ambiciosas e aos resultados projetados para o evento.
Logo no primeiro dia da feira, o Sicoob somou R$ 102 milhões em negócios, incluindo operações de crédito rural e integralização de cotas. O volume reforça o peso econômico da Expogrande e ajuda a dimensionar o tamanho das movimentações geradas durante a programação.
No mesmo ambiente de crescimento, o Grupo Real, que atua no segmento de nutrição e saúde animal, projeta faturar R$ 12,9 milhões ao longo dos dez dias de evento. Para tentar alcançar essa meta, a empresa adotou uma estratégia que coloca o incentivo financeiro no centro da operação comercial.
Pela proposta, os dez colaboradores da equipe de frente vão receber 1% do faturamento total caso a meta seja atingida. Na prática, isso representa R$ 12,9 mil extras para cada integrante, valor que será somado aos salários e benefícios já recebidos normalmente.
O movimento chama atenção porque aponta para uma lógica menos comum em feiras do setor: a de atrelar grandes resultados a uma recompensa direta e expressiva para quem participa da construção das vendas. Em um ambiente tradicionalmente marcado por metas altas e forte competitividade, o reconhecimento financeiro passa a ser usado como ferramenta concreta de engajamento.
A valorização não se limita aos funcionários. A empresa também decidiu premiar parceiros comerciais. Nesta sexta-feira (10), um parceiro do Rio Grande do Sul deve receber uma picape zero quilômetro como reconhecimento pelo desempenho obtido na região noroeste gaúcha.
Segundo a divulgação, a premiação está ligada ao avanço do market share da marca, que saiu de 1,2% para 4% em 2025 naquela área. O resultado ajudou a consolidar a presença dos produtos da empresa no Sul do país e virou exemplo do tipo de meta que a companhia pretende estimular com bonificações mais robustas.
Para Eduardo Teixeira, gerente da Krein Distribuidora, esse tipo de ação foge do padrão, mas funciona como estímulo ao mercado. “Não é uma ação comum, mas iniciativas assim incentivam o mercado e mostram que objetivos ambiciosos são possíveis. Isso tira o time da zona de conforto de forma saudável”, afirmou.
Parceiro envolvido nos resultados, Eduardo Henrique Engel também destacou o impacto da estratégia. “São ações assim que multiplicam vendas”, disse.
O diretor comercial do Grupo Real, Marcelo Renck Real, afirmou que a política adotada tem foco no trabalho coletivo e na valorização de quem participa diretamente dos resultados. “Não existe faturamento sem estratégia, muito menos sem colaborador. O time de vendas precisa de incentivos justos, proporcionais aos seus resultados. O que fazemos pode parecer extraordinário para alguns, mas para nós é a base do trabalho em grupo: agradecimento e valorização”, declarou.
O diferencial que emerge da Expogrande, neste cenário, está justamente nessa combinação entre cifras elevadas e reconhecimento mais objetivo do capital humano. Em vez de limitar o protagonismo aos números finais, parte das empresas passa a usar a própria feira como vitrine de uma cultura de incentivo voltada a vendedores e parceiros.
Com negócios milionários já no início da programação, a Expogrande mostra força econômica, mas também sugere uma mudança de mentalidade no agro sul-mato-grossense, onde a valorização da equipe começa a ganhar espaço como peça estratégica para sustentar crescimento e ampliar resultados.
Maria Edite Vendas – A Crítica/Foto: Divulgação






