23/04/2026 06:49

Saúde de Dourados entra em colapso e prefeitura decreta calamidade

O avanço agressivo da chikungunya em Dourados levou o prefeito Marçal Filho (PSDB) a assinar um decreto de calamidade em saúde pública nesta segunda-feira (20). A medida, publicada em edição extraordinária do Diário Oficial, reflete um cenário de colapso iminente: a taxa de ocupação de leitos de internação atingiu a marca crítica de 110%. Com o sistema operando acima do limite, o município admite dificuldades severas para garantir o atendimento adequado até mesmo para pacientes em estado grave.

De acordo com o documento oficial, a crise é agravada pela combinação de fatores sazonais e epidemiológicos. Além dos mais de 6,1 mil casos prováveis de chikungunya, a rede de saúde sofre com o aumento expressivo de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O Centro de Operações de Emergências (COE) aponta que a transmissão, antes concentrada na Reserva Indígena, espalhou-se rapidamente por todos os bairros da cidade, pressionando postos de saúde e unidades de urgência.

O decreto tem validade de 90 dias e confere poderes excepcionais à Secretaria Municipal de Saúde para tentar desafogar o sistema. Entre as medidas permitidas estão a realização de contratações emergenciais de profissionais, a requisição de bens e serviços e até a entrada forçada em imóveis para o combate ao mosquito Aedes aegypti. O objetivo é permitir que a prefeitura tenha agilidade jurídica para reorganizar os atendimentos e buscar apoio na rede regional de saúde.

Como resposta direta à epidemia, Dourados iniciará a vacinação contra a chikungunya na próxima segunda-feira (27). Antes da aplicação, as equipes de enfermagem passarão por um treinamento rigoroso entre quarta e quinta-feira para triagem dos pacientes. Segundo o secretário de Saúde, Marcio Figueiredo, o processo será mais lento do que o habitual, pois cada morador precisará passar por uma avaliação técnica minuciosa antes de receber a dose, verificando possíveis restrições de saúde.

A vacina, que será aplicada em pessoas de 18 a 59 anos, possui uma lista extensa de contraindicações por ser composta por vírus vivo atenuado. O imunizante não é indicado para gestantes, lactantes, pessoas com baixa imunidade (como pacientes oncológicos ou com HIV) e portadores de doenças autoimunes. Também devem evitar a dose aqueles que apresentaram febre alta ou sintomas de chikungunya nos últimos 30 dias, exigindo cautela redobrada dos vacinadores durante a campanha.

Para acelerar a cobertura vacinal, a prefeitura planeja uma ação especial no feriado de 1º de maio, com um sistema de drive-thru no pátio do Paço Municipal. Enquanto a imunização avança, as autoridades reforçam que a eliminação de criadouros domésticos continua sendo a única forma imediata de reduzir a circulação do vírus. O estado de calamidade serve como um alerta máximo para que a população colabore no combate ao mosquito e evite o colapso total da assistência hospitalar em Mato Grosso do Sul.

Viviane Freitas – Capital News/Foto: Divulgação