A região de Corumbá e Ladário, no Pantanal, é a principal fonte de exportação de minério em Mato Grosso do Sul e o volume financeiro exportado no primeiro quadrimestre deste ano caiu 35%.
Enquanto em 2025 foram exportados US$ 97,423 milhões, no período de janeiro a abril deste ano as cifras ficaram em US$ 62,867 milhões.
Análises internacionais sugerem que as quedas na negociação do minério de ferro em contratos futuros, principalmente, estão relacionadas com o aumento de taxa de frete em um cenário de guerra no Oriente Médio. A principal compradora da commodity é a China, com suas siderurgias.
Com a guerra que está concentrada entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, outro reflexo externo que gera impacto na balança comercial de Mato Grosso do Sul envolve o aumento do custo da energia de forma global.
Ao mesmo tempo que esse contexto global pressionou os volumes de exportação, o cenário local também tem tido seus desafios para a exportação via Rio Paraguai, modal com mais vantagem logística.
O nível mais adequado para a navegação comercial na região de Ladário, que tem padrão de 1,5 metros, só foi alcançado em 19 de março, conforme régua da Marinha do Brasil. No ano passado, em 23 de fevereiro já era possível ter nível comercial de navegação.
A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil) divulgou relatório mostrando um contexto para este ano com números mais pressionados. O impacto em uma possível redução do comércio do produto gera impacto financeiro para a arrecadação de Corumbá, por exemplo, e também de Mato Grosso do Sul.
“Após um ciclo marcado por elevada volatilidade, o mercado global de minério de ferro caminha para 2026 sob um cenário de preços mais pressionados, demanda ainda enfraquecida e aumento da oferta internacional. Para o Brasil – segundo maior produtor mundial e altamente dependente da arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) –, o momento exige atenção redobrada por parte de estados e municípios mineradores e afetados”, indicou a Amig Brasil.
CENÁRIO
Conforme a associação, o cenário é de queda e menor arrecadação estatal. “As projeções para 2026 reforçam a leitura de um mercado mais desafiador. Estimativas recentes elaboradas a partir do consenso de analistas internacionais, sistematizadas pela consultoria GMK Center, indicam que o preço médio anual do minério de ferro na China deverá recuar para cerca de US$ 94 por tonelada. Esse patamar representa uma queda aproximada de 7% em relação à média de 2025, de cerca de US$ 101 por tonelada, consolidando um movimento de ajuste após os picos observados nos anos anteriores”, contextualizou a instituição.
O resultado do primeiro trimestre para as exportações de minério de ferro sofreu queda de forma nacional. A redução foi tanto de volume (1,9% m/m), que foi de 28 Mt, como no valor médio por tonelada (2,1% m/m), que ficou em
US$ 71,82.
O Banco do Brasil, que mantém análise do mercado, identificou, porém, que abril vem mostrando um cenário melhor. Porém, os dados oficiais de exportação do sistema Comex Stat, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior estão com base de informações consolidadas até março deste ano.
ARRECADAÇÃO
A Agência Nacional de Mineração (ANM) indicou que os royalties pagos pela extração do minério de ferro na região de Corumbá e Ladário, onde estão quatro mineradoras, foi de R$ 28.165.719,46 milhões em 2025, enquanto no ano anterior, o valor alcançou R$ 46.206.590,72. Neste ano, entre janeiro e abril, o total acumulado foi de R$ 6.346.615,00.
A principal arrecadação da Cfem para Mato Grosso do Sul está a partir de Corumbá, que corresponde a 56,8% do total estadual.
A Cfem é distribuída aos estados, municípios e também a órgãos da administração da União. A proporção de distribuição é a seguinte: 10% para a União (7% ANM, 1% FNDCT, 1,8% Cetem e 0,2% Ibama), 15% para o estado onde for extraída a substância mineral, 60% para o município produtor e 15% para os municípios quando afetados pela atividade de mineração e a produção não ocorrer em seus territórios.
Conforme a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a mineração ainda segue como pilar para a economia do Estado, apesar das quedas.
“Historicamente, a mineração desempenha papel importante no desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul. O Estado reúne reservas relevantes de ferro e manganês na região do Pantanal, além de calcário e outros minerais presentes em áreas como a Serra da Bodoquena. A atividade, no entanto, ocorre em regiões ambientalmente sensíveis, o que exige atenção permanente à governança ambiental e ao uso responsável dos recursos naturais”, informou, via assessoria de imprensa.
RODOLFO CÉSAR, DE CORUMBÁ – CORREIO DO ESTADO/FOTO: ARQUIVO







