31/05/2026 13:20

MS supera 1 milhão de toneladas exportadas, mas frete segue pressionado após pico da soja

O custo elevado do diesel e a necessidade contínua de escoamento da safra mantiveram os fretes agrícolas em patamares altos em Mato Grosso do Sul, mesmo após o fim do pico da colheita da soja. A avaliação consta no Boletim Logístico de maio da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), divulgado nesta última sexta-feira (29).

Segundo a Conab, o mercado de fretes no Estado entrou em um momento de “acomodação” em abril, com menor pressão logística do que nos meses anteriores, mas ainda sustentado pelo grande volume de produção e pelas exportações de grãos.

Em Mato Grosso do Sul, a colheita da soja estava praticamente concluída até o fim de abril, com produção ligeiramente superior à da safra passada, impulsionada pelo aumento da área plantada e pela recuperação da produtividade em regiões produtoras. Ao mesmo tempo, o milho da segunda safra passou a ganhar protagonismo na logística estadual, mantendo a demanda por caminhões aquecida.

O boletim destaca que os custos operacionais do transporte seguem elevados principalmente por conta do diesel e de outros insumos logísticos, impedindo uma queda mais acentuada dos fretes. Nacionalmente, a Conab afirma que esse cenário mantém os preços “ancorados” em níveis elevados, mesmo com a desaceleração natural após o auge da safra.

MS exportou mais de 1 milhão de toneladas de soja

No comércio exterior, Mato Grosso do Sul exportou 1.031.897 toneladas de soja e 6.564 toneladas de milho apenas em abril de 2026, segundo dados da plataforma Comex Stat citados pela Conab.

Apesar da redução nos embarques de soja em relação a março, o volume permaneceu elevado e sustentou o uso intenso das rotas de média e longa distância até os portos do Sul e Sudeste. Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Santos (SP) aparecem como os principais corredores logísticos utilizados pelos produtores sul-mato-grossenses.

O Estado respondeu por 6,2% das exportações brasileiras de soja e 1,4% das vendas externas de milho no período analisado pela estatal.

Entre as rotas monitoradas pela Conab, os maiores fretes em abril foram registrados nos embarques para Paranaguá e Rio Grande (RS). O transporte de grãos de Sidrolândia para Rio Grande chegou a R$ 342 por tonelada, alta anual de 29%. Já a rota entre Chapadão do Sul e Guarujá atingiu R$ 335 por tonelada, avanço de 34% em relação ao mesmo período do ano passado.

No corredor Dourados–Rio Grande, o frete ficou em R$ 325 por tonelada, enquanto São Gabriel do Oeste–Santos fechou abril em R$ 315 por tonelada.

As maiores altas percentuais no comparativo anual ocorreram nas rotas de Ponta Porã para Paranaguá, com avanço de 56%, e Sidrolândia para Santos, com aumento de 45%.

O boletim nacional da Conab mostra ainda que o Brasil caminha para uma safra recorde de 358 milhões de toneladas de grãos em 2025/2026, puxada principalmente pela soja, pelo milho e pelo sorgo. A produção de soja deve alcançar 180,1 milhões de toneladas, enquanto o milho pode chegar a 140,2 milhões de toneladas somando as três safras.

Osvaldo Sato – Midiamax/Foto:Imagem ilustrativa. (Reprodução)