03/06/2026 13:48

China abre mercado e MS pode ampliar exportações de carne

Mato Grosso do Sul deve colher novos ganhos econômicos com a decisão da China de reconhecer oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. O anúncio, confirmado ontem, fortalece a confiança do principal comprador da carne bovina sul-mato-grossense e pode ampliar ainda mais a participação do Estado em um mercado que já vem registrando crescimento expressivo nas importações.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que, entre janeiro e abril deste ano, Mato Grosso do Sul exportou 41,642 mil toneladas de carne bovina para a China, movimentando US$ 250,574 milhões.

O país asiático foi responsável por 36,4% de toda a receita obtida com as vendas externas de carne bovina in natura do Estado no período.

O avanço é significativo quando comparado aos anos anteriores. No primeiro quadrimestre de 2025, as exportações para a China somaram 26,448 mil toneladas, com faturamento de US$ 130,602 milhões.

Já em 2024, foram embarcadas 16,434 mil toneladas, gerando US$ 76,224 milhões em negócios.

Na comparação entre 2026 e 2025, o volume exportado cresceu 57,4%, enquanto a receita avançou 91,9%.

Em relação a 2024, o salto é ainda mais expressivo, com aumento de 153,4% no volume e de 228,7% no valor negociado.

O reconhecimento sanitário ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (Omsa) conceder ao Brasil o status de país livre de febre aftosa sem vacinação.

A certificação é considerada um dos mais importantes selos sanitários da pecuária mundial e reduz barreiras comerciais para a entrada de produtos de origem animal em mercados exigentes.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a decisão foi resultado das negociações conduzidas durante missão oficial à China realizada em maio deste ano.

O governo brasileiro apresentou às autoridades chinesas os avanços obtidos pelo sistema nacional de defesa agropecuária e reforçou o pedido pelo reconhecimento sanitário.

Para o ministro André de Paula, o anúncio representa uma conquista estratégica para o agronegócio nacional. “Esse foi um dos principais temas que levamos como prioridade durante nossa recente missão à China. Tivemos reuniões longas e produtivas com os ministros da Agricultura e do Comércio, e essa era uma das reivindicações mais importantes que apresentamos”, afirmou.

Para a Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), o anúncio reforça a excelente relação comercial entre os dois países e a confiança do país asiático “nos elevados padrões de controle, vigilância e monitoramento sanitário, que alcançou um dos mais robustos sistemas de defesa animal do mundo”, disse em nota ao Correio do Estado.

Ainda segundo a Acrissul, “a medida consolida o Mato Grosso do Sul como importante exportador global e que tem na China o principal destino para a carne bovina produzida no Estado”.

O mestre em Economia Eugênio Pavão corrobora que a decisão chinesa fortalece a previsibilidade das exportações e cria condições para que Mato Grosso do Sul amplie sua participação no mercado asiático.

“A decisão chinesa possibilita maior segurança nas exportações e Mato Grosso do Sul deve aproveitar esse momento para ganhar uma parcela ainda maior desse mercado”, avaliou.

Segundo ele, o reconhecimento sanitário chega em um momento estratégico para a pecuária diante das incertezas relacionadas com o mercado europeu e possível tarifaço dos Estados Unidos.

“Com a possibilidade de o mercado europeu impor sanções à carne brasileira no segundo semestre, a queda nas exportações de Mato Grosso do Sul para a Europa deve ser compensada pelas importações chinesas”, afirmou.

MERCADO
O reconhecimento ocorre em um momento de forte expansão das exportações sul-mato-grossenses de carne bovina. Conforme relatório da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), apenas em abril deste ano o Estado exportou 31,5 mil toneladas de carne bovina in natura, gerando receita de US$ 199,9 milhões.

O resultado representou crescimento de 9,6% no volume e de 34,3% no faturamento em relação ao mesmo mês de 2025.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, as exportações alcançaram 115 mil toneladas e renderam US$ 688,2 milhões.

Na comparação com igual período do ano passado, houve aumento de 20% no volume embarcado e de 41,1% na receita.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) classificou como histórica a decisão do governo chinês de reconhecer todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação.

Segundo a entidade, o anúncio encerra uma negociação conduzida ao longo de mais de duas décadas e representa um marco para a pecuária brasileira.

SÚZAN BENITES – CORREIO DO ESTADO/FOTO: GERSON OLIVEIRA