Mesmo antes de uma definição sobre a ampliação do tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os efeitos da incerteza já começam a aparecer nas exportações brasileiras.
Em Mato Grosso do Sul, os embarques ao mercado norte-americano perderam força nos dois últimos meses, embora o primeiro semestre ainda tenha encerrado com crescimento em relação ao ano passado.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), obtidos pelo Correio do Estado no sistema Comex Stat, mostram que as exportações sul-mato-grossenses para os Estados Unidos somaram US$ 371,02 milhões entre janeiro e junho, alta de 14% ante os US$ 325,37 milhões registrados no mesmo período de 2025.
Quando considerado o volume, o crescimento foi ainda maior. O Estado embarcou 437,49 mil toneladas, avanço de 33,6% sobre as 327,39 mil toneladas exportadas no primeiro semestre do ano passado.
Apesar do resultado positivo no acumulado, os números indicam desaceleração recente. Depois de atingir US$ 73,39 milhões em abril, as vendas caíram para US$ 36,53 milhões em maio, uma retração de mais de 50%, e fecharam junho em US$ 44,81 milhões, ainda abaixo do desempenho observado nos primeiros quatro meses do ano.
NACIONAL
O movimento acompanha o cenário nacional. Levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) aponta que as exportações brasileiras aos Estados Unidos recuaram 13% no primeiro semestre, atingindo o menor patamar da série histórica para o período.
A participação do mercado americano nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, enquanto as vendas para outros parceiros, como China e União Europeia, seguiram em expansão.
A preocupação é que o quadro possa se agravar caso Washington confirme novas sobretaxas sobre produtos brasileiros após o encerramento das negociações entre os dois países, previsto para o dia 15.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que 4,1 mil produtos brasileiros, equivalentes a US$ 14,9 bilhões em exportações, poderão ser atingidos pelas novas medidas.
PRODUTOS
A pauta exportadora de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos continua concentrada em poucos produtos, com destaque absoluto para a proteína animal.
As carnes bovinas desossadas congeladas responderam por US$ 190,36 milhões, mais da metade de tudo o que o Estado vendeu aos norte-americanos no semestre.
Na sequência aparecem ferro fundido bruto (US$ 74,23 milhões), pastas químicas de madeira (US$ 59,37 milhões), carnes bovinas frescas ou refrigeradas (US$ 20,08 milhões), sebo bovino (US$ 9,8 milhões) e carnes salgadas ou processadas.
Também integram a pauta de exportações celulose, tilápia, couro bovino, minério de ferro, fécula de mandioca, tapioca e outros produtos agroindustriais.
DIÁLOGO
Diante do cenário de incerteza, a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) tem intensificado o diálogo com representantes norte-americanos.
Na semana passada, durante a celebração dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, em São Paulo, o diretor de Relações Internacionais da entidade, Aurélio Rocha, reforçou a importância de manter abertas as relações comerciais entre o Estado e o mercado americano.
“É um momento importante para reforçar a relação entre Mato Grosso do Sul e os Estados Unidos. Temos trabalhado para estreitar esse diálogo institucional, ampliar as relações bilaterais e criar oportunidades de negócios que possam gerar desenvolvimento econômico para o nosso Estado”, afirmou.
SÚZAN BENITES – CORREIO DO ESTADO/FOTO: GERSON OLIVEIRA







