Mesmo com quase 90% da geração baseada em hidrelétricas, usinas eólicas e solares, o Brasil não consegue transformar essa vantagem em tarifas mais baixas. Um estudo do economista Daniel Duque, do Centro de Liderança Pública, estima que uma reforma ampla no setor elétrico poderia reduzir a conta residencial em até 32%.
O levantamento aponta que apenas 30,4% da fatura corresponde ao custo efetivo da geração. O restante é formado por tributos, encargos, despesas da rede, subsídios e perdas do sistema. Sem mexer nos impostos, a economia potencial ainda poderia chegar a 23%, segundo a análise.
Entre os principais fatores de pressão estão a Conta de Desenvolvimento Energético, com orçamento de R$ 52,7 bilhões em 2026, os tributos, responsáveis por 18,1% da conta, e as perdas de energia, que alcançam 14,3% do total distribuído. Contratações obrigatórias de usinas e contratos de longo prazo com preços elevados também acabam repassados ao consumidor.
“O Brasil não sofre principalmente de falta de geração barata, mas de incapacidade de transformar sua dotação energética em preço final competitivo”, afirmou Daniel Duque. O Ministério de Minas e Energia sustenta que o limite ao crescimento dos subsídios e a reforma tributária podem aliviar as tarifas, mas ressalta que comparações internacionais exigem cautela.
O que encarece a conta de luz no Brasil
Estudo mostra onde estão os principais custos e quanto a tarifa poderia cair
Redução máxima estimadaAté 32%
Sem alterar impostosAté 23%
Custo da geração30,4% da fatura
| Fator | Peso ou valor informado | Como afeta o consumidor |
|---|---|---|
| Tributos | 18,1% da fatura | Aumentam diretamente o valor final pago nas residências |
| Perdas e fraudes | 14,3% da energia distribuída | Parte do prejuízo acaba incorporada às tarifas |
| Subsídios do setor | R$ 52,7 bilhões na CDE em 2026 | Políticas públicas e incentivos são cobrados na própria conta |
| Contratos antigos | Preços elevados e prazos longos | Consumidores continuam pagando energia contratada em condições menos competitivas |
| Contratações obrigatórias | Usinas definidas por lei ou leilões | Custos de empreendimentos mais caros podem ser repassados à tarifa |
Comparação internacional
BrasilUS$ 0,357 por kWh, considerando o poder de compra.
ChinaUS$ 0,155 por kWh.
CanadáUS$ 0,146 por kWh.
Posição brasileiraTarifa superior à registrada em 77 países analisados.
Medidas apontadas para reduzir a tarifa
Revisão de subsídiosTransferir parte dos custos para o Orçamento da União.
Combate às perdasReduzir furtos, fraudes e desperdícios na distribuição.
Contratos mais eficientesEvitar compromissos caros e longos sem concorrência adequada.
Modernização do sistemaAmpliar armazenamento e aproveitar melhor a produção solar e eólica.
Avaliação do estudo
“O Brasil não sofre principalmente de falta de geração barata, mas de incapacidade de transformar sua dotação energética em preço final competitivo.”
Daniel Duque, economista do Centro de Liderança Pública
Contexto: os percentuais de redução são estimativas de uma reforma estrutural e não representam queda automática ou já definida na tarifa.
A Crítica – Foto: Divulgação







