23/09/2026 18:32

Azambuja confirma conversa sobre possível transição federal, mas diz que foco é eleição ao Senado

O candidato ao Senado por Mato Grosso do Sul Reinaldo Azambuja (PL, número 222) disse nesta quarta-feira (23) que Flávio Bolsonaro (PL) e o senador Rogério Marinho (PL-RN) conversaram com ele sobre ajudar a fazer a transição de um eventual governo federal. A pergunta que ele respondia era outra: se teria uma vaga em um dos ministérios de Flávio Bolsonaro, caso o candidato do PL vença a eleição. Sobre ministério, Azambuja não disse sim nem não.

A entrevista foi ao Giro Estadual de Notícias, programa jornalístico do Grupo Feitosa de Comunicação, que edita este jornal, transmitido pelas emissoras do grupo no interior do Estado e pelo canal do jornal no YouTube.

“Primeiro que pra um presidente nomear ministério, primeiro ele tem que ganhar as eleições, né?”, disse o candidato, antes de responder. “Então, se o Flávio ganhar as eleições, sim, ele teve uma conversa comigo, ele e o Rogério Marinho, se eu ajudaria a fazer a transição do governo.”

Em seguida, tratou o assunto como hipótese, não como decisão tomada. “Primeiro vamos ganhar a eleição, você para o governo, presidente da república, e eu para o Senado.”

Marinho não é um senador qualquer nessa conversa. Ele é o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, função em que este jornal o registrou em 4 de setembro, quando se reuniu com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Pela descrição do próprio Azambuja, a conversa partiu do candidato à Presidência e do homem que organiza a campanha dele.

A prioridade declarada é a cadeira no Senado

Azambuja afirmou que aceitaria colaborar com um eventual governo federal, mas que pretende exercer o mandato se for eleito.

“Se eu for chamado para ajudar a governar, eu gostaria de ser senador da República pelo Mato Grosso do Sul para defender o sul-mato-grossense”, disse. E completou: “se for chamado para ajudar o Brasil, eu não vou fugir da raia de ajudar o Brasil. Mas eu acho que a minha prioridade é o nosso povo, nossa gente e o Mato Grosso do Sul”.

Ao falar da plataforma para o Senado, citou recursos para os municípios, presença federal nas fronteiras, reajuste da tabela de pagamentos do SUS, a volta da ferrovia e a liberação da hidrovia. Azambuja foi prefeito de Maracaju, deputado estadual, deputado federal e governador de Mato Grosso do Sul entre 2015 e 2022. O primeiro suplente da chapa dele é Nelsinho Trad (PSD), que desistiu da própria candidatura ao Senado.

A promessa mais concreta da entrevista foi sobre o Supremo

Antes da pergunta sobre ministério, Azambuja disse o que pretende fazer com a cadeira em relação ao STF, e foi específico: abrir um processo de impeachment contra ministro da Corte.

“Nós vamos cumprir, se formos eleitos, o papel constitucional de abrir um processo de impeachment, de julgar com as provas que nós temos”, afirmou. Sobre os ministros, disse: “eles usurparam o poder de todos nós, do executivo, do legislativo, e estão sob suspeição”. Citou Alexandre de Moraes pelo nome: “pergunta para qualquer advogado criminalista se o Alexandre de Moraes podia julgar naquele processo, que ele é parte”.

A base legal que ele invocou existe e confere. O art. 52 da Constituição dá ao Senado a competência privativa de processar e julgar o presidente e o vice nos crimes de responsabilidade, no inciso I, e os ministros do STF, os membros do CNJ e do CNMP, o procurador-geral da República e o advogado-geral da União, no inciso II. O rito está na Lei 1.079/1950: pelo art. 41, qualquer cidadão pode apresentar a denúncia; pelo art. 44, ela só anda depois de recebida pela Mesa do Senado, lida na sessão seguinte e enviada a uma comissão especial. É nesse ponto de recebimento que os pedidos contra ministros costumam parar.

Azambuja não disse a qual processo se referia ao afirmar que Moraes julgou caso em que é parte, e o programa não perguntou. Dois dias antes da entrevista, em 21 de setembro, este jornal noticiou que Moraes se declarou impedido na ação que pede os registros de entrada da mulher dele no Senado. A relatoria foi sorteada para o ministro Luiz Fux.

A posição também não é nova nesta campanha nem neste programa. Em 8 de setembro, o outro candidato ao Senado da mesma coligação, Capitão Contar disse ao mesmo Giro Estadual que votaria pelo impeachment de Moraes e cobrou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, paute os pedidos já protocolados.

Agenda com Flávio Bolsonaro cancelada por causa da entrevista

Azambuja disse que desmarcou nesta quarta-feira (23) uma gravação com Flávio Bolsonaro em São Paulo para dar a entrevista. “Eu cancelei uma agenda porque nós estaríamos com ele em São Paulo fazendo uma gravação, o Riedel tá lá, o Contar tá lá, eu não fui porque eu tinha essa entrevista marcada já com vocês”, afirmou.

Pela fala dele, o governador Eduardo Riedel, candidato à reeleição, e Capitão Contar estavam em São Paulo para a gravação. Azambuja disse não esperar a vinda de Flávio Bolsonaro a Mato Grosso do Sul antes do primeiro turno, e trabalhar com a hipótese de segundo turno. A agenda em São Paulo não foi confirmada de forma independente para esta matéria.

Os números que o candidato usou são declarações dele

Azambuja sustentou as críticas ao governo federal com uma sequência de números: 38 ministérios no Brasil, contra 15 nos Estados Unidos, 25 na China e 9 na Argentina; R$ 3 bilhões de juros pagos por dia; a Selic de 2% no governo Bolsonaro e 14% hoje; R$ 280 milhões por ano gastos em Mato Grosso do Sul com presos ligados ao tráfico, que seriam 70% da população carcerária do Estado; 12 mil obras paradas no país segundo relatório do Tribunal de Contas da União; e R$ 8 bilhões de prejuízo das estatais.

Dez disputam as duas vagas

Mato Grosso do Sul elege duas das três cadeiras que tem no Senado. Concorrem dez candidatos: Reinaldo Azambuja (222) e Capitão Contar (221), os dois pela coligação Fazendo o Futuro Acontecer; Soraya, nome de urna de Soraya Thronicke (400), e Vander Loubet (133), os dois pela coligação Por um MS do Povo; Roberto Oshiro (300), do Novo; Beto do Movimento (500), da Federação PSOL/Rede; Daniel Junior (365), do Agir; Luiz Lemes (277), do DC; Valderi Garcia (290), do PCO; e Valter da Comagran (258), da Federação Renovação Solidária.

A votação é no domingo, 4 de outubro, daqui a 11 dias.

Na urna Os dez nomes e os números do Senado em MS

Votação Domingo, 4 de outubro de 2026

Vagas Duas das três cadeiras de Mato Grosso do Sul. Cada eleitor vota em dois nomes diferentes para senador.

Dígitos Três. Os dois primeiros são o número do partido.+ Os dez candidatos, número por número

  • 222 Reinaldo Azambuja, coligação Fazendo o Futuro Acontecer
  • 221 Capitão Contar, coligação Fazendo o Futuro Acontecer
  • 400 Soraya, de urna para Soraya Thronicke, coligação Por um MS do Povo
  • 133 Vander Loubet, coligação Por um MS do Povo
  • 300 Roberto Oshiro, Novo
  • 500 Beto do Movimento, Federação PSOL/Rede
  • 365 Daniel Junior, Agir
  • 277 Luiz Lemes, DC
  • 290 Valderi Garcia, PCO
  • 258 Valter da Comagran, Federação Renovação Solidária

+ Entenda os termos

Crime de responsabilidade: infração cometida no exercício do cargo que não leva à cadeia, e sim à perda do posto. É o que o Senado julga quando abre um processo de impeachment.

Impeachment de ministro do STF: qualquer cidadão pode apresentar a denúncia ao Senado, conforme o art. 41 da Lei 1.079/1950. Pelo art. 44 da mesma lei, ela só anda depois de recebida pela Mesa do Senado, lida na sessão seguinte e enviada a uma comissão especial.

Impedimento: quando o juiz declara que não pode atuar em um processo por ter ligação pessoal com o caso, e o processo passa a outro relator.

Suplente: quem assume a cadeira se o senador eleito se licenciar, morrer ou deixar o cargo. Cada candidato ao Senado registra dois.

Nomes de urna, números e coligações conforme a relação de candidatos da Justiça Eleitoral em Mato Grosso do Sul, na versão entregue à redação em 7 de setembro de 2026. Todos aparecem na situação Concorrendo.

O A Crítica dá espaço igual a todos os candidatos e partidos. A cobertura eleitoral segue critérios jornalísticos, sem vinculação a campanha.

Ricardo Eugenio – A Crítica/Foto: Reprodução/A Crítica