A conta da possível redução da jornada de trabalho já chegou ao campo em Mato Grosso do Sul. Levantamento da Aprosoja/MS aponta que, se a chamada “modernização” da jornada for aplicada sem período de transição ou mecanismos de compensação, o custo adicional anual para as cadeias da soja e do milho pode chegar a R$ 93,3 milhões no Estado.
O cálculo foi feito pela área econômica da entidade e considera o impacto direto sobre a mão de obra formal nas duas culturas. Hoje, conforme dados do Novo Caged analisados pela Aprosoja/MS, o Estado tem 3.938 empregados com carteira assinada no cultivo do milho e 10.908 na produção de soja.
Com a redução da jornada, a disponibilidade anual de trabalho por funcionário cairia cerca de 16,6%, segundo o estudo. Para manter o mesmo nível de produção, os produtores teriam de contratar aproximadamente 2.464 trabalhadores a mais.
Para o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, o debate sobre jornada é legítimo, mas o formato da mudança é decisivo. “Qualquer alteração venha acompanhada de regras claras e previsíveis, com avaliação de impacto por setor. Na visão da entidade, preservar empregos precisa ser um ponto central da discussão”, avalia.
Michelc lembra ainda que o agronegócio opera sob forte concorrência internacional e depende de janelas climáticas rígidas para plantar e colher. “Na prática, isso significa que atrasos ou limitações de horário podem encarecer a operação e reduzir a competitividade da produção sul-mato-grossense”, explica.
O estudo detalha que a adequação da escala de trabalho representaria um impacto de R$ 14,33 por hectare na soja e R$ 11,27 por hectare no milho. Em termos proporcionais, o aumento seria de 0,25% no custo operacional da soja e de 0,27% no milho.
À primeira vista, o percentual pode parecer pequeno, avalia o analista de Economia da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes. Mas, segundo ele, trata-se de um gasto permanente, que passa a fazer parte da estrutura fixa de produção. Em um Estado onde as lavouras de soja e milho ocupam cerca de 7 milhões de hectares, ajustes aparentemente modestos acabam ganhando peso nas planilhas.
Carlos Guilherme – A Crítica
Foto: Arquivo







