03/02/2026 05:10

Café brasileiro registra queda de até 11% nos preços em setembro após meses de alta

Expectativa de chuvas e possível retirada do tarifaço americano pressionam cotações, segundo estudo da USP

Os preços do café brasileiro registraram queda significativa na segunda quinzena de setembro de 2025, com retração de até 11% nas cotações, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq-USP, divulgado nesta quarta-feira (24). A redução ocorre após período de fortes altas entre junho e agosto.

Quedas expressivas nas duas variedades

Entre 15 e 22 de setembro, o Indicador Cepea/Esalq do café arábica no posto na capital paulista caiu 10,2%, fechando a R$ 2.133,08 por saca de 60 quilos na segunda-feira (22). Para o café robusta, o recuo foi ainda maior: 11,1% no mesmo período, com a saca encerrando a R$ 1.313,22 no posto do Espírito Santo.

Fatores múltiplos pressionam preços

Os pesquisadores do Cepea identificaram quatro principais fatores para a pressão baixista nos preços: a expectativa de chuvas mais expressivas nas regiões produtoras do Brasil, realização de lucros pelos investidores, liquidação de posições de compra na Bolsa de Nova York (ICE Futures) após fortes altas, e a possibilidade de que as tarifas americanas sobre o café brasileiro sejam retiradas.

Preços mantêm patamares elevados

Apesar da retração nas cotações, o Cepea indica que os preços seguem em níveis elevados, ainda influenciados pela oferta restrita, estoques reduzidos e pelo fato de o café brasileiro estar sobretaxado nos Estados Unidos desde agosto.

Contexto das altas anteriores

Em agosto, o mercado cafeeiro havia registrado aumentos significativos. O café robusta subiu 43% na medição parcial do mês, fechando a R$ 1.469,43 por saca de 60 quilos no dia 25 de agosto na praça do Espírito Santo. O café arábica avançou 26,3% no mesmo período, encerrando a R$ 2.287,56 por saca no posto da capital paulista.

Impacto do término da safra

O Centro de Estudos explica que o impulso das altas de agosto veio principalmente do estoque ajustado. O término da colheita evidenciou perdas no beneficiamento e o limitado volume de produção no Brasil, fatores que sustentaram os preços em patamares elevados antes da correção de setembro.

Volatilidade do tarifaço americano

O tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras de café, em vigor desde 6 de agosto, continua trazendo volatilidade ao mercado nacional. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações do grão brasileiro, tornando qualquer mudança na política tarifária americana um fator crucial para o mercado.

Necessidade de redirecionamento

Em análise realizada no fim de julho, o Cepea já havia indicado que o Brasil pode ser forçado a redirecionar parte da produção nacional para outros mercados, exigindo agilidade logística e estratégia comercial para mitigar prejuízos à cadeia produtiva nacional.

Expectativas climáticas influenciam mercado

A expectativa de chuvas mais expressivas nas regiões produtoras emerge como fator importante para a correção dos preços. Após período de estiagem que afetou a safra atual, a perspectiva de melhor regime pluvial para o próximo ciclo produtivo alivia pressões sobre a oferta futura.

Movimento especulativo

A realização de lucros e liquidação de posições na Bolsa de Nova York indica que parte da alta anterior teve componente especulativo. Com os preços atingindo patamares elevados, investidores aproveitaram para cristalizar ganhos, contribuindo para a correção das cotações.

Cenário de incertezas

O setor cafeeiro brasileiro permanece em clima de incerteza diante das políticas comerciais americanas. A possibilidade de retirada das tarifas, mencionada como um dos fatores da queda, demonstra como o mercado permanece sensível a sinalizações políticas dos Estados Unidos.

Perspectivas futuras

Com estoques reduzidos, oferta restrita e dependência do mercado americano, o café brasileiro navega entre pressões contraditórias. Enquanto fatores fundamentais sustentam preços elevados, questões comerciais e especulativas podem gerar volatilidade adicional nos próximos meses.

O mercado cafeeiro brasileiro demonstra sua sensibilidade tanto a fatores climáticos internos quanto a políticas comerciais externas, mantendo produtores em estado de alerta constante.