02/02/2026 23:52

Campo Grande sedia Pré-COP30 do Pantanal e projeta protagonismo dos estados na agenda climática

O Pantanal, maior planície alagável do planeta e patrimônio natural compartilhado por Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, esteve no centro do debate climático realizado nesta terça-feira (30), em Campo Grande. A capital sul-mato-grossense sediou a Pré-COP30 Oficial do Bioma Pantanal, que trouxe como tema “Clima e Biodiversidade: o papel dos estados e municípios na COP30”.

O encontro reuniu lideranças nacionais e regionais, entre elas o governador Eduardo Riedel (MS), o governador Renato Casagrande (ES), presidente do Consórcio Brasil Verde, a diretora executiva da COP30, Ana Toni, e representantes dos governos de Mato Grosso e do Espírito Santo.

Riedel destacou as ações pioneiras do estado, como a Lei do Pantanal, o Fundo do Clima e os programas de pagamento por serviços ambientais, que remuneram produtores comprometidos com a preservação. “Mato Grosso do Sul construiu um modelo que alia preservação e desenvolvimento. Nossos programas de financiamento e incentivo às cadeias produtivas mais eficientes são realidade e estarão na COP como exemplo concreto. É fundamental envolver também a iniciativa privada, porque a responsabilidade não é exclusiva do setor público”, afirmou.

A executiva da COP30, Ana Toni, reforçou o papel dos biomas brasileiros como provedores de soluções climáticas. “O Brasil precisa mostrar ao mundo que tem caminhos práticos de preservação aliados à prosperidade. O Pantanal, assim como a Amazônia e outros biomas, guarda respostas que devem ganhar visibilidade em Belém. O uso de instrumentos econômicos como o mercado de carbono e fundos climáticos são fundamentais para avançar nessa agenda”, destacou.

Entre os temas discutidos, ganharam centralidade a valorização da biodiversidade pantaneira, o protagonismo dos estados na governança climática, os instrumentos de financiamento e a implementação de soluções inovadoras. As contribuições foram reunidas na chamada Carta do Pantanal, que será apresentada à presidência da COP30 como manifestação conjunta dos estados pantaneiros.

O governador Renato Casagrande ressaltou a importância das Pré-COPs como etapa preparatória. “Estamos ampliando o debate para além da Amazônia, mostrando que todos os biomas são estratégicos. O Pantanal precisa estar nesse mapa global de soluções climáticas”, disse.

A COP30, que acontecerá em Belém (PA), de 10 a 21 de novembro de 2025, será a primeira conferência da ONU sobre mudanças climáticas realizada no Brasil. O evento pretende consolidar o país como protagonista nas negociações globais, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de alinhar preservação ambiental com desenvolvimento econômico.

Mato Grosso do Sul já se apresenta com credenciais de destaque: foi um dos primeiros estados a concluir seu inventário de emissões de gases de efeito estufa e tem um dos programas mais avançados de descarbonização do país, o MS Carbono Neutro 2030. Além disso, seu crescimento agrícola recente ocorreu principalmente pela recuperação de áreas degradadas — um exemplo de expansão sem avanço sobre vegetação nativa.

“Nosso desafio é consolidar a preservação do Pantanal com políticas públicas modernas, que unam mercado, ciência e produção sustentável. Queremos garantir que o bioma mais preservado do mundo continue sendo um exemplo de equilíbrio entre natureza e atividade econômica”, destacou Artur Falcette, secretário em exercício da Semadesc.

Representando Mato Grosso, o secretário executivo Alex Marega reforçou a necessidade de integração entre os dois estados: “O Pantanal tem especificidades regionais, mas a preservação só será possível de forma conjunta. Essa cooperação é essencial para proteger um patrimônio que pertence à humanidade.”

Com a Pré-COP30 do Pantanal, Campo Grande se coloca como um dos palcos estratégicos do debate climático nacional, projetando o bioma para o centro das discussões globais que culminarão em Belém, na COP30.

Angela Schafer, de Campo Grande/Informações: Governo MS

Foto: Bruno Rezende