03/02/2026 11:07

China libera 183 empresas brasileiras para exportar café após tarifaço dos EUA

Medida estratégica amplia acesso ao mercado chinês e oferece alternativa aos exportadores afetados pela tarifa de Trump

Diante da nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a China anunciou a autorização de 183 empresas do Brasil para exportar café ao país asiático. A decisão foi divulgada oficialmente pela Embaixada da China no Brasil no último sábado (2) e já está em vigor desde 30 de julho, com validade de cinco anos.

A medida chega em um momento crítico para o agronegócio brasileiro. O setor cafeeiro foi diretamente afetado pelo chamado “tarifaço” de Donald Trump, que começará a valer a partir de 6 de agosto e atinge em cheio os exportadores de café, carne bovina, suco de laranja, entre outros.

Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país exporta anualmente cerca de 8 milhões de sacas de café para os Estados Unidos, que hoje representam um terço do mercado norte-americano, movimentando US$ 4,4 bilhões nos últimos 12 meses.

Com o impacto da nova tarifa, produtores e exportadores vinham buscando alternativas para escoar a produção. E a China surge como uma aposta estratégica.

Brasil amplia presença no maior parceiro comercial

Apesar de ainda representar uma fatia menor na balança do café, a China tem se consolidado como parceiro comercial prioritário do Brasil. Em junho, foram exportadas 56 mil sacas de café ao país asiático, contra 440 mil sacas enviadas aos EUA no mesmo período. Com a nova liberação, a tendência é de crescimento expressivo nas exportações para o mercado chinês.

A medida fortalece não apenas o setor cafeeiro, mas também a diplomacia comercial entre Brasil e China, que buscam ampliar o fluxo de negócios em meio à tensão crescente com os Estados Unidos.

Até o momento, o Ministério da Agricultura e o Cecafé não se pronunciaram oficialmente sobre a decisão chinesa, e as autoridades alfandegárias da China também não comentaram publicamente.

Entretanto, nos bastidores, a liberação é vista como uma vitória estratégica para o Brasil — e um movimento inteligente da China, que amplia suas fontes de abastecimento em meio ao cenário internacional de incertezas.