Com a chegada das temperaturas mais baixas em Mato Grosso do Sul, o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), ligado ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), intensificou as ações de proteção aos animais em tratamento. A adaptação dos recintos, o uso de aquecedores e medidas técnicas específicas visam preservar a saúde e o conforto das espécies resgatadas, sobretudo filhotes e indivíduos mais vulneráveis ao frio intenso.
Nos meses de outono e inverno, os termômetros no estado frequentemente registram mínimas próximas de 0°C, com ocorrência de geadas e neblina em várias regiões. Esse cenário representa um desafio significativo para a fauna silvestre, exigindo resposta rápida e estruturada por parte das instituições responsáveis pela reabilitação dos animais.
No CRAS, a queda brusca de temperatura ativa um protocolo especial de inverno. Entre as principais medidas adotadas estão a instalação de lonas contra o vento nos recintos, o uso de aquecedores a óleo em áreas hospitalares e monitoramento clínico constante dos animais mais sensíveis. “A queda de temperatura pode causar estresse térmico severo. Por isso, temos protocolos para proteger especialmente os filhotes e aqueles em condição clínica mais delicada”, explica Jordana Toqueto, médica-veterinária da unidade.
As instalações do CRAS são reconhecidas nacionalmente pela qualidade técnica e estrutura física. O complexo conta com um hospital veterinário de mais de 1.150 m², equipado com ambulatórios, laboratórios e clínicas voltadas ao atendimento de diversas espécies. Além disso, há uma cozinha dedicada à preparação de dietas especiais e recintos com solários, permitindo a exposição solar controlada, essencial para a recuperação fisiológica e comportamental dos animais.
A estrutura adaptada respeita as particularidades de cada espécie, desde répteis até mamíferos, com ambientes que simulam o habitat natural e permitem a recuperação gradual com o mínimo de estresse possível. “Nosso objetivo é garantir que cada animal tenha as condições ideais de recuperação, sempre visando sua reintrodução ao ambiente natural”, afirma Aline Duarte, gestora do CRAS.
O centro também passou por melhorias administrativas, que incluem a modernização de ambientes de trabalho para as equipes técnicas — um investimento que reflete diretamente na qualidade do cuidado diário com os animais.
Com uma abordagem que alia ciência, técnica e respeito ao bem-estar animal, o CRAS se consolida como um dos principais centros de referência no Brasil em reabilitação de fauna silvestre, principalmente em momentos críticos como o inverno sul-mato-grossense.








