A sobretaxa de 25% às exportações brasileiras aos Estados Unidos entrou em vigor nesta quarta-feira (22). Os principais produtos vendidos por Mato Grosso do Sul para o país norte-americano estão na longa lista de exceções ao tarifaço. No entanto, de sebo bovino a biquínis e maiôs, itens que renderam ao Estado US$ 10.232.112 em exportações no primeiro semestre de 2026 serão tarifados pelo governo de Donald Trump.
Carne bovina, ferro-gusa e celulose, principais exportações de Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos, foram isentas. Apenas cerca de 2,77% dos itens vendidos pelo Estado ao país serão tarifados. A taxa recai sobre os norte-americanos que compram esses produtos. Aos setores impactados no Brasil, o temor é que eles deixem de importar do país para priorizar a produção interna ou outros mercados não tarifados.
O sebo bovino fundido — utilizado para produção de biodiesel, sabões e ração, por exemplo — sofre o principal impacto, sendo responsável por movimentação de US$ 9.805.261 no primeiro semestre deste ano, com a venda de 9.039 toneladas ao país norte-americano.
Os outros produtos de Mato Grosso do Sul que estão taxados em 25% são menos representativos nas exportações aos Estados Unidos. Dados do Observatório da Indústria mostram a participação dos itens nas exportações ao país, o valor movimentado e o volume vendido até junho de 2026. Confira a lista:
- Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas — 0,03%, US$ 127.050, 38 toneladas;
- Maiôs e biquínis de banho, de malha, de uso feminino, de fibras sintéticas — 0,03%, US$ 101.438, volume não informado;
- Ovos de aves, sem casca, secos — 0,03%, US$ 95.880, 120 toneladas;
- Outro álcool etílico não desnaturado — 0,02%, US$ 83.505, 100 toneladas;
- Outros produtos de qualquer espécie utilizados como colas ou adesivos, acondicionados para venda a retalho como colas ou adesivos, com peso líquido não superior a 1 kg — 0,01%, US$ 18.978, volume não informado.
MS é poupado pelas tarifas
Entre janeiro e junho de 2026, o Estado exportou 437,3 mil toneladas aos Estados Unidos, com movimentação superior a US$ 370,5 milhões, o que equivale a mais de R$ 1,8 bilhão, conforme a cotação do dólar nesta quarta-feira (22). Os dados são disponibilizados no Observatório da Indústria.
Carne bovina desossada e congelada corresponde a 51,4% das exportações aos Estados Unidos, seguida de ferro-gusa fundido bruto (20%), celulose (16%), carne bovina fresca ou refrigerada (5,42%), carne bovina em salmoura ou defumada (1,67%) e filé de tilápia (1,1%). Todos esses produtos, que correspondem a 96% das exportações de MS aos Estados Unidos, estão livres da nova tarifa.
Novo tarifaço
A decisão de impor o novo tarifaço de 25% é fruto da investigação do USTR, que acusou o governo brasileiro de “práticas injustificáveis, desarrazoadas ou discriminatórias de governos estrangeiros que oneram ou restringem o comércio dos EUA”. O etanol, o Pix e o desmatamento ilegal são algumas das motivações da taxa.
A maior parte dos produtos já estava isenta da cobrança quando a investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos foi concluída, em junho, mas o governo norte-americano ampliou as exclusões nesta quarta (15). O ferro-gusa de Mato Grosso do Sul entrou na lista de isenções só agora.
As exceções às tarifas foram aplicadas a produtos considerados importantes para a indústria estadunidense, mas que têm pouca oferta no país. Assim, a taxa poderia causar impacto negativo à produção dos Estados Unidos.
Exportações de MS
Ainda conforme o Observatório da Indústria, painel disponibilizado pela Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Estado.
A China é a principal parceira, responsável pela compra de 1,8 milhão de toneladas, o que representa US$ 1,3 bilhão apenas nos primeiros seis meses deste ano.
Neste período, as exportações totais do Estado acumulam movimentação de US$ 3,83 bilhões. Nos primeiros seis meses do ano passado, o valor era de US$ 3,78 bilhões. Ou seja, as exportações do primeiro semestre de 2026 superam o registrado em 2025.
As exportações aos Estados Unidos também subiram neste período, apesar dos imbróglios na política internacional entre os dois países. Entre janeiro e junho de 2025, o comércio internacional com o país norte-americano movimentou US$ 3,2 milhões, ante US$ 3,7 milhões no mesmo período deste ano.
Murilo Medeiros, Midiamax – Foto: Imagem ilustrativa. (Reprodução/Detalhe de Trump, Divulgação Casa Branca)







