02/02/2026 18:58

Educação financeira é vista como motor de transformação social, avalia especialista

Com o avanço do endividamento no país, a educação financeira volta ao centro do debate como uma das principais estratégias para fortalecer a autonomia econômica das famílias brasileiras. Dados de 2025 mostram que 76,4% dos lares convivem com algum tipo de dívida e que 28,6% já estão em situação de inadimplência, um cenário que pressiona ainda mais a necessidade de inserir o tema de forma efetiva nas escolas.

Apesar de a Base Nacional Comum Curricular prever o ensino de educação financeira, o assunto ainda não se consolida como prática estruturada na rotina escolar. A avaliação é de Geraldo Luiz Silva, professor do curso de Ciências Contábeis da Estácio. Ele aponta que a falta de formação adequada para professores, a carência de materiais didáticos e a necessidade de articulação entre diferentes áreas do conhecimento dificultam o avanço. “O tema exige abordagem transversal e alinhamento com as diretrizes nacionais. A BNCC permite trabalhar educação financeira em disciplinas como Matemática, Ciências Humanas e até Ensino Religioso, mas isso só funciona com capacitação contínua e gestão integrada”, afirma.

A urgência do debate se explica pelo contexto econômico. Para o professor, os índices de endividamento refletem uma combinação de fatores que afetam diretamente o planejamento financeiro das famílias brasileiras. “Com juros altos e crédito cada vez mais restrito, muitas pessoas acabam recorrendo a financiamentos para manter o padrão de consumo. Somada à perda do poder de compra causada pela inflação, essa prática acaba alimentando um ciclo difícil de romper”, explica.

A falta de conhecimento sobre orçamento e metas de longo prazo amplia o problema. “Sem noções básicas de planejamento, decisões financeiras são tomadas por impulso. E quando não há objetivos claros, como aposentadoria, reserva de emergência ou investimentos, a estabilidade econômica se fragiliza”, acrescenta Silva.

Os efeitos ultrapassam o bolso. O descontrole financeiro está associado ao aumento do estresse, a conflitos familiares e até à queda de produtividade no trabalho. “O estresse financeiro compromete a saúde mental e impacta diretamente as relações pessoais, criando vulnerabilidades emocionais e sociais”, destaca.

Para Geraldo, a educação financeira precisa ser tratada não apenas como conhecimento técnico, mas como uma ferramenta de cidadania capaz de ampliar oportunidades e fortalecer a resiliência econômica do país. “Mais do que ensinar a lidar com dinheiro, é preparar cidadãos para fazer escolhas conscientes e construir um futuro mais estável”, conclui.

Angela Schafer, de Campo Grande Foto: Divulgação