03/02/2026 07:42

Estiagem derruba produtividade da soja e do milho em Mato Grosso do Sul, aponta estudo da Aprosoja-MS

A irregularidade das chuvas e as altas temperaturas castigaram o campo sul-mato-grossense e deixaram marcas profundas nas principais culturas do Estado. De acordo com o Estudo Técnico do Impacto da Estiagem nas Lavouras do Estado, divulgado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), as safras de soja e milho 2023/2024 tiveram queda expressiva de produtividade, cenário que já preocupa também o novo ciclo, da soja 2024/2025.

A safra de soja 2023/2024 registrou 4,2 milhões de hectares plantados, mas a produtividade média ficou em 48,84 sacas por hectare, uma das mais baixas da última década. O volume total produzido foi de 12,3 milhões de toneladas, redução de 8% em relação ao ciclo anterior. Segundo o estudo, as regiões centro e sul do Estado, responsáveis por mais de 80% da área cultivada, foram as mais afetadas pela estiagem.

“É essencial compreender como os períodos prolongados de seca vêm influenciando a dinâmica agrícola em Mato Grosso do Sul. As áreas mais sensíveis à escassez hídrica têm apresentado sinais claros de redução na eficiência produtiva, o que impõe desafios não apenas ao rendimento das lavouras, mas também à viabilidade econômica de muitos produtores”, explica o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta.

A situação não foi diferente na segunda safra de milho 2023/2024. A baixa pluviometria, em torno de 600 milímetros, bem abaixo do ideal, comprometeu o desenvolvimento das plantas e reduziu tanto a qualidade quanto a quantidade do grão colhido.

Para a nova safra de soja 2024/2025, o cenário segue desafiador. A Aprosoja/MS aponta que as condições climáticas adversas devem persistir e reforça a importância de investimentos em tecnologia, manejo e irrigação, além de políticas públicas de apoio ao produtor.

“O estudo mostra a resiliência dos produtores, mas também evidencia que o clima é determinante na produção agrícola. É fundamental ampliar o debate sobre gestão hídrica e adoção de tecnologias para garantir a sustentabilidade do setor”, destaca o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc.

O levantamento foi elaborado a partir dos projetos SIGA-MS e Produtividade, que monitoram lavouras em 79 municípios do Estado por meio de informações de campo e sensoriamento remoto. Os dados embasaram o Projeto de Lei 5.122/2023, que propõe medidas de apoio aos produtores, como a liquidação, anistia e renegociação de dívidas de crédito rural, Cédula de Produto Rural (CPR), fornecedores e cooperativas.

Angela Schafer, de Campo Grande/Informações: Aprosoja/MS

Foto: Divulgação Aprosoja