10/04/2026 16:05

Expogrande expõe força do agro e peso dos custos no campo

Expogrande 2026 começou nesta quinta-feira (9), em Campo Grande, com um discurso duplo que resume bem o momento do setor. De um lado, há confiança na força econômica do agronegócio sul-mato-grossense. Por outro lado, existe preocupação crescente com custos de produção, endividamento e incertezas provocadas pelo cenário internacional. A abertura da feira reuniu produtores, lideranças rurais e autoridades políticas no Parque de Exposições Laucídio Coelho.

Agro segue como vitrine de força econômica

Na cerimônia, o presidente da Acrissul, Guilherme Bumlai, tratou a Expogrande como símbolo do peso estrutural do agro. Ele associou a feira a valores como trabalho, cuidado e respeito. A mensagem buscou reforçar a ideia de que o campo continua sendo uma das bases da economia brasileira. Mesmo diante de um ambiente mais pressionado, a importância do setor foi destacada.

Além da defesa institucional do setor, Bumlai também apontou que a cadeia produtiva enfrenta um período delicado. O dirigente citou conflitos internacionais e a alta de custos, especialmente do diesel, como fatores que afetam diretamente a produção. Ao mesmo tempo, ressaltou que a pecuária vive um ciclo favorável. Atualmente, há arroba firme, valorização do gado e protagonismo do Brasil no mercado global da carne bovina.

Custos, dívidas e fertilizantes entram no radar

O tom de alerta apareceu com mais força no discurso da senadora Tereza Cristina. Ao falar sobre o ambiente atual do campo, ela destacou que produtores enfrentam juros pesados, endividamento e risco de desabastecimento de fertilizantes nos próximos meses. Segundo a parlamentar, o impacto da guerra internacional já é sentido no Brasil, tanto nos preços quanto na disponibilidade de insumos estratégicos.

A senadora afirmou que os fertilizantes já registram alta expressiva e alertou para a possibilidade de falta do produto em agosto. Ela também criticou a dependência externa do país e defendeu medidas estruturais para reduzir a vulnerabilidade brasileira. Isso incluiu o debate sobre combustíveis e mistura de etanol e biodiesel. O recado foi claro: o agro segue forte, mas carrega um custo cada vez mais alto para produzir.

Governo destaca diversidade da produção em MS

O governador Eduardo Riedel, por sua vez, reforçou o papel da Expogrande como uma das grandes vitrines do setor no país. Em seu discurso, ele associou a feira ao crescimento vivido por Mato Grosso do Sul e à transformação da base produtiva do Estado. Ele citou cadeias como floresta plantada, proteínas animais, soja, milho, energia e segurança alimentar.

A fala de Riedel caminhou na linha de mostrar um agro mais diversificado e decisivo para a economia estadual. Nesse contexto, a feira foi apresentada não apenas como espaço de negócios. Além disso, ela se destacou como retrato de uma atividade que influencia emprego, renda e expansão econômica em várias frentes.

Segurança jurídica também vira pauta política

O evento ainda abriu espaço para um discurso mais político. O senador Flávio Bolsonaro, que participou da abertura, afirmou compromisso com pautas do setor. Ele prometeu enfrentar o que chamou de insegurança jurídica no campo, com menção ao debate sobre marco temporal e terras indígenas.

Ele também defendeu maior autonomia para povos indígenas decidirem o uso econômico de seus territórios. A presença do senador e o teor de sua fala mostraram que a Expogrande, além de reunir negócios e tecnologia, também se consolida como palco de articulações e disputas em torno do futuro do agro brasileiro.

Feira vai além da pecuária e do debate setorial

A 86ª edição da Expogrande segue até 19 de abril, com programação voltada a negócios, genética, tecnologia, capacitação e entretenimento. A abertura ainda marcou o início da agenda cultural, com show de Zezé Di Camargo. No conjunto, a feira começou embalada pelo otimismo de quem vê um setor decisivo para o Estado. Mas também pelo alerta de que produzir está mais caro, mais arriscado e mais dependente de decisões que vão além da porteira.

Adriano Hany/RCN 67 – Foto: Divulgação