21/03/2026 02:23

Fim de uma era: EUA cunham última moeda de 1 centavo

Apesar do fim da produção, moeda continuará em circulação e levanta preocupações entre comerciantes e consumidores

Nesta quarta-feira (12), a Casa da Moeda dos Estados Unidos cunhou oficialmente a última moeda de 1 centavo. O gesto simbólico, realizado na Filadélfia, marca o encerramento de um ciclo iniciado em 1787 — ano da primeira cunhagem da moeda mais famosa e nostálgica da economia americana.

A decisão de interromper a produção da moeda foi anunciada meses atrás, sob o argumento de que o custo para fabricá-la (cerca de 4 centavos por unidade) já não compensava seu valor de mercado. Embora seu uso hoje seja limitado, ela ainda circula em pequenas transações e guarda memórias afetivas para muitos americanos.

Uma despedida que causa ruído

Ao contrário do que se esperava, o fim da produção não foi acompanhado de um plano de transição claro. A ausência de diretrizes federais vem gerando incertezas no comércio varejista, especialmente em estados e cidades onde as leis exigem que o troco seja exato. Em algumas regiões, comerciantes estão adotando o arredondamento dos preços — para cima ou para baixo — o que já gera impactos financeiros e preocupações legais.

Mesmo empresas que optaram por não repassar o custo aos consumidores, como redes de conveniência no Centro-Oeste americano, relatam perdas significativas com a nova política. Estima-se que o arredondamento custe, anualmente, cerca de US$ 6 milhões aos consumidores e milhões às empresas.

Além disso, há outro impasse: a necessidade de produzir mais moedas de 5 centavos para suprir a demanda pode anular a economia prevista com a extinção do centavo.

Uma história centenária

A moeda de 1 centavo resistiu por mais de dois séculos. Desde a versão inicial criada por Benjamin Franklin até o icônico modelo com o rosto de Abraham Lincoln lançado em 1909, o “penny” americano acompanhou transformações econômicas e culturais dos Estados Unidos.

Ainda que a maioria dessas moedas viva hoje esquecida em potes e gavetas, sua despedida definitiva toca na memória de gerações — e provoca questionamentos sobre o futuro do dinheiro físico.


Entre nostalgia e burocracia, o adeus à moeda de 1 centavo expõe o desafio de modernizar sem perder o fio da história.