09/03/2026 18:52

Governo de MS investe R$ 6,1 milhões em projetos de preservação do Pantanal

A preservação do Pantanal sul-mato-grossense, considerado a maior planície alagável do planeta, recebeu aproximadamente R$ 6,1 milhões em investimentos do Governo de Mato Grosso do Sul por meio do programa PSA Bioma Pantanal. A iniciativa incentiva a conservação da vegetação nativa, a proteção da fauna, a restauração ecológica e o fortalecimento de comunidades tradicionais.

Os recursos foram destinados a 13 projetos desenvolvidos por sete organizações não governamentais, com ações voltadas ao desenvolvimento sustentável e à melhoria das condições de vida de quem vive na região pantaneira. Parte dessas iniciativas integra o subprograma PSA Brigadas, voltado à prevenção e ao combate a incêndios florestais.

Entre as instituições beneficiadas está o Instituto do Homem Pantaneiro (IHP), que recebeu mais de R$ 1,4 milhão para executar três projetos. As ações incluem resgate técnico de animais, comunicação integrada, manutenção e ampliação do Sistema Pantera na região da Serra do Amolar, além do fortalecimento da Brigada Alto Pantanal, que atua na prevenção de incêndios.

Segundo o diretor-presidente do IHP, Ângelo Rabelo, o programa representa um avanço ao incentivar financeiramente iniciativas voltadas à proteção do bioma. Ele destaca que os recursos ajudam a fortalecer a atuação da brigada que opera na região da Serra do Amolar.

Programas de conservação

PSA Bioma Pantanal abrange toda a porção do bioma localizada em Mato Grosso do Sul e está estruturado em dois subprogramas principais: o PSA Conservação e Valorização da Biodiversidade (PSA Conservação) e o PSA Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (PSA Brigadas).

De acordo com a coordenadora do programa PSA da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc)Letícia Walter, os contratos atuais dos dois subprogramas têm validade até dezembro de 2026, com previsão de novos editais a partir de 2027.

PSA Brigadas oferece apoio financeiro a projetos desenvolvidos por comunidades tradicionais, organizações da sociedade civil, brigadas voluntárias ou comunitárias e também propriedades rurais que atuam na prevenção e no combate inicial aos incêndios, além do resgate de fauna.

O primeiro edital do programa recebeu 28 propostas, das quais 17 foram classificadas com valores de até R$ 500 mil, sendo 13 já contempladas com recursos do Fundo Clima Pantanal.

Entre os projetos beneficiados está o da brigada do Instituto do Homem Pantaneiro, que atua na região da Serra do Amolar (Fotos: IHP)

Os projetos estão distribuídos em regiões como Nhecolândia, Nabileque, Serra do Amolar, Porto Esperança, Porto Rolon, Curva do Leque e Salobra, incluindo áreas de terras indígenas, unidades de conservação e comunidades tradicionais. Entre as instituições envolvidas estão SOS Pantanal, FUNAR, UCDB, Instituto Tamanduá, ICAs e Associação Onçafari.

Conservação da vegetação nativa

Outra frente do programa envolve a valorização de propriedades rurais que mantêm áreas de vegetação preservadas além das exigidas pela legislação.

Em dezembro de 2025, o governo estadual anunciou a preservação de 126 mil hectares no Pantanal por meio dessa política, financiada com recursos do Fundo Clima Pantanal.

Na primeira chamada pública do PSA Conservação, 71 imóveis rurais se inscreveram e 45 propriedades foram classificadas, após avaliação baseada no Índice de Serviços Ambientais (ISA), que considera fatores como conservação da vegetação, conectividade de habitats e relevância ambiental das áreas.

Nova chamada aberta

segunda chamada pública do subprograma PSA Conservação foi publicada nesta semana. O objetivo é selecionar projetos que contribuam para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas, com foco na proteção do Pantanal sul-mato-grossense.

As inscrições podem ser feitas até 6 de abril de 2026, por meio de formulário disponibilizado pelo governo estadual. As propostas serão avaliadas com base em critérios como relevância ambiental, impacto positivo para o bioma, viabilidade técnica e alinhamento com políticas públicas.

Maria Edite Vendas – A Crítica

Foto: Divulgação