03/02/2026 01:31

Laranja: entenda por que o preço pago pela indústria caiu em novembro

Demanda externa mais fraca, safra em andamento e mudanças no mercado internacional explicam recuo nas cotações da fruta no Brasil

O mercado da laranja iniciou novembro com sinal de alerta. O preço pago pelas indústrias pela caixa de 40,8 quilos da fruta, que vinha sendo negociada por cerca de R$ 50 na árvore, caiu para R$ 45 na primeira semana do mês, segundo análise do Cepea/Esalq (USP). O principal motivo? Uma combinação entre maior oferta para processamento e recuo na demanda externa.

De acordo com o Cepea, o ritmo das exportações também perdeu força. Entre julho e outubro de 2025, o volume de suco embarcado caiu 7,1% em relação ao mesmo período da temporada anterior. A receita teve queda de 15%, reflexo direto da redução dos preços internacionais, impulsionada por maior oferta global e comportamento mais cauteloso de compradores — especialmente na Europa.

Panorama das exportações

Dados da Comex Stat revelam que o volume exportado somou 199,7 mil toneladas em equivalente concentrado entre julho e setembro deste ano, com receita de US$ 751,3 milhões, valor 15% inferior ao do mesmo período em 2024.

Embora os Estados Unidos tenham mantido a compra do suco brasileiro, a União Europeia apresentou retração de 8%, influenciada pela alta nos preços e problemas de qualidade na safra anterior. Pela primeira vez em anos, os embarques ficaram equilibrados: 48% para os EUA e 48% para a UE.

Apesar da isenção da sobretaxa de 40% para o suco de laranja exportado aos EUA, os derivados como óleo e farelo continuam sujeitos a tarifas de até 50%, o que limita o desempenho global da cadeia.

Menos euforia, mais estratégia

Na safra anterior (2024/25), o Brasil exportou o menor volume de suco em quase 30 anos, mas bateu recorde de receita: US$ 3,48 bilhões. Isso foi possível graças à oferta restrita, que sustentou os preços mesmo diante das tarifas americanas.

Neste ciclo, a expectativa de maior produção nacional e o impacto da queda nas cotações internacionais impõem um novo cenário: margens apertadas, menos otimismo e mais cautela.

“O setor entra em nova fase: menos euforia, mais estratégia. O futuro dependerá da inovação e da conquista de novos mercados”, afirma o boletim do Cepea.