Dez anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), nenhum dos responsáveis foi condenado pela Justiça brasileira. Considerado o maior desastre socioambiental do país, o colapso da estrutura da Samarco — controlada por Vale e BHP — deixou 19 mortos, comunidades destruídas e um rastro de contaminação na bacia do Rio Doce.
Apesar das proporções da tragédia, o processo criminal segue sem decisão definitiva. Em 2024, a Justiça Federal absolveu empresas e réus, alegando falta de provas individuais. O Ministério Público Federal recorreu, mas o julgamento ainda não ocorreu — e parte das acusações já prescreveu. Entre os crimes denunciados estão homicídio qualificado, inundação, desabamento e poluição ambiental.
Justiça mais dura no exterior
Enquanto o Brasil ainda busca responsabilizações, a Justiça britânica condenou a mineradora BHP em uma ação coletiva que reúne mais de 620 mil atingidos. A decisão reconhece a responsabilidade da empresa na tragédia, embora ainda não defina o valor exato das indenizações. A expectativa gira em torno de R$ 230 bilhões, o que tornaria essa a maior ação ambiental julgada no Reino Unido.
A condenação no exterior escancara o contraste com a lentidão da justiça brasileira — e reacende o sentimento de impunidade entre os atingidos.
Acordo de reparação ainda em execução
Na esfera cível, um novo acordo de reparação foi firmado em outubro de 2024, totalizando R$ 170 bilhões. O pacto substitui as ações da Fundação Renova, criticadas por ineficiência, e transfere parte das responsabilidades para a União e os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
Entre as medidas previstas estão investimentos em mobilidade, saneamento básico e programas sociais voltados a agricultores e pescadores afetados. No entanto, moradores de distritos como Bento Rodrigues relatam que reassentamentos seguem lentos e promessas seguem no papel.
Do total acordado, R$ 32 bilhões ficaram sob responsabilidade direta da Samarco, que alega já ter pago R$ 14 bilhões em indenizações e auxílios. Mesmo assim, muitas famílias seguem esperando a reconstrução de suas casas, de seus negócios — e da própria dignidade.








