Uma travessia cinematográfica pelas cozinhas que moldam identidades, preserva memórias e alimenta territórios. ‘Mulheres da Fronteira – Uma Comitiva de Sabores pelo Pantanal’ é um documentário de 90 minutos que lança luz sobre as guardiãs da gastronomia pantaneira, mostrando que o sabor do Pantanal tem voz, rosto, raízes e história feminina.
A obra percorreu dois meses de gravações em Campo Grande, Miranda, Aquidauana e Corumbá, regiões que respiram o coração do Pantanal brasileiro. Todo o processo, da mise-en-place à finalização, levou cerca de nove meses de produção. As entrevistas foram registradas em um cenário que une arte e sensibilidade: o múltiplo ateliê da artista visual Lúcia Martins Coelho, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
As protagonistas deste filme são sete mulheres que traduzem em suas jornadas a potência da cozinha pantaneira e suas diversas fronteiras: geográficas, culturais, étnicas, artísticas e afetivas.
São elas: Dona Domingas Torales, cozinheira de tradição; Maria Adelaide de Paula Noronha, fundadora do Buffet Yotedy; Cristina da Rocha, pioneira no turismo gastronômico em Miranda e dona da Pousada Pioneiro; Lidia Aguilar Leite, turismóloga, chef e proprietária do Recanto Vale do Sol Turismo Rural em Corumbá; Taina Elias Lopes, chef do restaurante Comitiva do Helinho, em Campo Grande; Kalymaracaya, primeira chef indígena do Brasil, da etnia Terena e Jadi Tamasiro, proprietária do emblemático Jadi Sobá da Feira Central de Campo Grande.
Cada uma, a seu modo, tempera a história com saberes ancestrais, criatividade cotidiana, resistência e muito afeto. Orgulho é a palavra escolhida por Lidia Aguilar Leite, que atua há 25 anos divulgando a gastronomia pantaneira com fogão a lenha e doces típicos em Corumbá. “Foi muito gratificante participar do documentário, precisamos divulgar a nossa cultura fronteiriça, dar valor a ela e não deixar morrer nossas tradições, pois nós, Mulheres da Fronteira, fazemos parte da história”, pontuou.
Sentimento que também evidenciou Kalymaracaya Nogueira, que com 17 anos de história nesse segmento se viu representada no projeto. “O documentário me permitiu reviver as melhores lembranças da minha infância, na aldeia, junto com minha mãe, avó e tias, expressadas pelos sabores e aromas. Cada prato que citei vai além de simples comida, representa um ato de resistência e uma forma de manter viva nossa identidade, transmitindo os saberes para as próximas gerações.
A empreendedora revela que foi uma chance significativa de mostrar a cultura e evidenciar a força e a resiliência das mulheres que vivem na fronteira. “Meu desejo é que o documentário sirva como reflexo para minhas “patrícias” (indígenas), assim como uma porta de entrada para que mais pessoas possam nos conhecer, respeitar e valorizar a nossa cultura”, finalizou.
O propósito que move

O projeto nasce a partir das mais de duas décadas de pesquisa do diretor geral, chef e pesquisador Paulo Machado sobre a cozinha do Pantanal. Para ele, mulheres sempre estiveram no centro dessa cozinha, mesmo que raramente sob os holofotes.
“Dirigir Mulheres da Fronteira – Uma Comitiva de Sabores pelo Pantanal foi, antes de tudo, um mergulho profundo em histórias de vida que se encontram na cozinha. Convidei sete mulheres que admiro por seus trabalhos e pelas transformações que provocam ao redor, cada uma delas habitando lugares onde as fronteiras não se limitam ao mapa”, afirmou o chef Paulo Machado.
Ele destaca que a obra revela uma cozinha feminina por natureza, feita de ingredientes que carregam identidade, memória e pertencimento. Segundo o diretor, o filme é “um convite à reflexão sobre como a gastronomia atravessa barreiras e constrói pontes, mostrando que entre as diferenças existem caminhos comuns.”
Mulheres da Fronteira reúne grandes nomes em sua produção, como na direção de fotografia, conduzida por Frico Guimarães, que tem experiência internacional com cinema e Mônica Guimarães, que ficará responsável pela distribuição do documentário, com vasta experiência em festivais.
Já a missão de direção técnica do documentário, ficou a cargo de Bruno Loiácono, que detalhou o resultado como uma tradução do Pantanal em filme. Bruno revelou que foram dezessete horas de material bruto, que se transformaram em organismo vivo, cheio de pausas, texturas e sons que precisavam encontrar seu próprio lugar. “O processo foi de escuta e precisão, como se cada corte fosse um compasso e cada transição uma passagem de ar. Tudo foi afinado à mão: o ritmo, as cores, o som, o silêncio. Mulheres da Fronteira é resultado de um trabalho paciente e invisível, onde técnica e emoção caminham juntas. Um filme construído com o mesmo cuidado de quem cozinha devagar, ajustando o fogo, experimentando o ponto, esperando o instante certo de servir”, finalizou.
Na construção da alma do documentário, a trilha sonora também assume papel de protagonista. Em Mulheres da Fronteira, a viola é quem dá o tom, conduzindo, com delicadeza e maestria a sonoplastia que percorre as paisagens sonoras de Mato Grosso do Sul e do Pantanal. Sob a batuta sensível do produtor musical, Rodrigo Faleiros, responsável por toda a trilha de Mulheres da Fronteira, o som transforma-se em narrativa, em emoção, em território.
“A viola caipira é o fio condutor que costura praticamente toda a trilha sonora do filme. É como um maestro que conecta as emoções e valoriza cada instrumento, cada elemento escolhido com cuidado para formar uma harmonia perfeita”, explica Rodrigo.
A trilha, que nasce da essência pantaneira e se espalha em acordes de pertencimento, estará disponível em todas as plataformas digitais a partir do dia primeiro de dezembro, um convite para o público reviver as emoções e as paisagens sonoras que embalam esse documentário tão cheio de sentimento.
Lançamento e acessibilidade
A estreia oficial acontece em dezembro de 2025, com pré-estreia no Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campo Grande (MS) e lançamento simultâneo no Cinemark da capital e no YouTube, onde ficará disponível gratuitamente durante todo o mês de dezembro.
As sessões no MIS e no Cinemark serão destinadas exclusivamente à imprensa, autoridades e equipe de produção. A partir de 2026, o filme segue para festivais nacionais e internacionais de cinema, gastronomia e documentário.
Realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, o filme é totalmente acessível, com audiodescrição, legendas e tradução em Libras, garantindo uma experiência inclusiva para todos os públicos.
Mulheres da Fronteira é sobre quem alimenta o Pantanal há gerações. É sobre cozinhas que são território, afeto e fronteira viva. É sobre mulheres que, com colher de pau e coragem, moldam identidades e servem pertencimento.
Ficha técnica – Mulheres da Fronteira:
Direção Geral: Paulo Machado
Produção: LOBUS Filmes
Direção: Bruno Loiácono
Assistente de Direção: Andressa Bussolaro
Direção de Fotografia: Frico Guimarães
Direção de Produção: Andressa Bussolaro
Assistente de Produção: Joyce Leite
Direção de Arte: Bruno Loiácono
Roteiro: Jhony Silvano / Paulo Machado / Bruno Loiácono / Andressa Bussolaro
Texto da Narração: Jhony Silvano / Paulo Machado
Pesquisa: Instituto Paulo Machado
Operadores de Câmera: Fábio Moreira dos Santos · Endrews Diniz Andrade · Deivison Pedrê
Técnico de Som: Thiago Cabrioti
Mixagem: Bruno Loiácono
Cabelo e Maquiagem: Joyce Leite
Produção Musical: Rodrigo Faleiros
Montagem: Bruno Loiácono
Assistente de Montagem: Andressa Bussolaro
Finalização: Bruno Loiácono
Design Gráfico: Helton Perez (VACA AZUL)
Mídias Sociais: Higor Maranho
Libras: Juverice Condi
Audiodescrição: Júlia Pedroso Guilherme (JPEG Serviços Multimídia)
Tradução e Legendas: Bruno Loiácono / Andressa Bussolaro
Distribuição: Mônica Guimarães
Fotografia Still: Higor Maranho
Direção Executiva: Nilson Marques
Assessoria de Imprensa: Ângela Schafer
Assessoria Administrativa: Maria de Fátima Agassi (Agassi Produções Culturais)
Assessoria Contábil: Débora Gonçalves Rezende
Relações Públicas: Viviane Feitosa
Reportagem: Angela Schafer, de Campo Grande – Foto: Divulgação








