23/03/2026 09:46

Pantanal é a estrela principal em reunião da alta cúpula da COP15, em Campo Grande

O Pantanal foi a estrela dos discursos da alta cúpula da COP15, a 15ª Conferência das Partes da CMS (Convenção das Nações Unidas sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres).

Nas falas oficiais, as autoridades enalteceram o bioma e sua importância para o equilíbrio ambiental das Américas.

Quem abriu as falas do segmento presidencial da reunião foi o presidente da COP15, João Paulo Capobianco, secretário-executivo do MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima). Ele foi o primeiro a destacar a importância do Pantanal.

João Capobianco, presidente da COP15

“Reunimo-nos hoje (22), em Campo Grande, às portas do Pantanal, a maior planície alagável do mundo — um bioma transfronteiço de importância global, e que simboliza a essência da conectividade ecológica que essa convenção busca proteger”, definiu.

“Esse segmento reafirma a convicção de que a conservação das espécies migratórias e de seus habitats é inseparável da cooperação internacional, do desenvolvimento sustentável e do fortalecimento do multilateralismo”, completou.

Marina Silva, ministra do Meio Ambiente

Janja, Marina Silva e Eduardo Riedel. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax).

Já a ministra do MMA (Meio Ambiente e da Mudança do Clima), Marina Silva, destacou a importância da união.

“Ao participar deste segmento presidencial, convido vocês a tratem essa COP15 como um ponto de virada na gestão e preservação das espécies migratórias. Seus movimentos não são aleatórios, eles dependem de algo fundamental: conectividade”, afirmou.

“Essa conectividade está cada vez mais ameaçada, sobretudo pela mudança do clima e fragmentação de seus habitats. Hoje estamos reunidos no país que abriga a maior biodiversidade do planeta, em uma região profundamente conectada aos fluxos da vida. Esse diferencial se faz acompanhar de uma grande responsabilidade”, completou.

“Proteger essas espécies é proteger o equilíbrio global”, pontuou ainda a ministra, que também destacou que o governo brasileiro se desenvolve para implantar mais de 200 ações pela biodiversidade previstas até 2030.

“Não são suficientes se foram dados isoladamente, nenhum país pode proteger sozinho espécies migratórias. A boa notícia é que a cooperação internacional tem mostrado que é possível reverter”, disse.

Assim, citou que o Brasil deve manter a proteção com a Tríplice Fronteira. “Precisamos alinhar estratégias, reconhecer e proteger essas espécies e proteger o equilíbrio do poder. O Brasil tem disposição de trabalhar com todos os países, especialmente com nossos irmãos paraguaios e bolivianos”, destacou.

Amy Fraenkel, da ONU

Amy Fraenkel (à esquerda), secretária-executiva da CMS da ONU. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax).

Amy Fraenkel, secretária-executiva da Convenção sobre Espécies Migratórias da ONU, enalteceu a presença dos presidentes brasileiro e paraguaio na agenda, mostrando um sinal claro de que a cooperação protege espécies migratórias.

A sobrevivência dessas espécies depende de proteger e conectar territórios. “Nesta região temos exemplos poderosíssimos, como a onça-pintada, que depende dessas terras conectadas, transnacionais, para manter sua população”, afirmou Fraenkel.

Temos espécies aqui dentro do Pantanal que têm um papel importantíssimo nessa conectividade. Mesmo que cubram uma pequena superfície da terra, é um dos ecossistemas mais importantes”, disse ainda.

“Por fim, precisamos considerar que, na escala em que a natureza opera, ela não reconhece fronteiras, por isso precisamos trabalhar da mesma forma”, finalizou.

Ministro das Relações Exteriores da Bolívia

O ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Carrasco, iniciou falando que “a proteção das espécies migratórias não é apenas uma questão ambiental, mas de segurança regional e estabilidade futura. Quando falamos de conectividade ecológica, falamos da integração de sistemas que sustentam as economias, que asseguram os meios de vidas e preveem conflitos”.

“Então, deteriorar isso, afeta a biodiversidade e impacta a segurança alimentar, hídrica e a resiliência de nossos Estados”, avaliou.

“Os pantanais e as áreas úmidas têm um papel crítico, como espaço de biodiversidade e também como estruturas naturais que regulam a água e geram sistemas que dão sustento às economias locais. São nossos ativos. No entanto, esses sistemas estão sob pressão por modelos de desenvolvimento que não valorizam essa coletividade, e isso aumenta os riscos sistêmicos”, defendeu.

O ministro ainda destacou a parceria entre Brasil, Bolívia e Paraguai em políticas acerca da preservação do Pantanal.

Ministro Fernando Carrasco, das Relações Exteriores da Bolívia, ao lado do presidente do Paraguai, Santiago Peña. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)

Santiago Peña, presidente do Paraguai

“É um honra estar aqui com vocês em Campo Grande, a poucos quilômetros do Pantanal, uma das regiões mais extraordinárias do planeta, e onde nasce o rio que dá nome ao meu país, o Paraguai”, iniciou sua fala o presidente paraguaio, Santiago Peña.

Ele ainda pontuou que o Paraguai é ponto de convergência de três grandes sistemas naturais: o chaco, o Pantanal e as florestas atlânticas.

“Estas regiões vastas são importantes não apenas para as espécies migratórias, mas também territórios nos quais vivem nossas comunidades.”

“Por isso, o Paraguai está convencido de que proteger as espécies migratórias não é apenas uma tarefa ambiental, mas uma decisão de desenvolvimento. Dar estabilidade aos sistemas naturais é garantir a estabilidade dos nossos povos, reconhecendo o direito do ser humano a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza”, afirmou.

Os discursos foram sucedidos pela assinatura de decretos de criação de reservas de proteção ambiental no Brasil.

Lula da Silva, presidente do Brasil

Com isso, foi decretada a ampliação das UCs federais (Unidades de Conservação) do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e do Cerrado, da Estação Ecológica do Taiamã, em Mato Grosso, além da criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, em Minas Gerais.

Ao todo, mais de 174 mil hectares passam a ser protegidos.

Presidente Lula durante sua fala. (Foto: Madu Livramento, Midiamax)

“Organizar este evento em Campo Grande, no Estado de Mato Grosso do Sul, é uma escolha estratégica. Estamos na porta de entrada do Pantanal, maior planície alagável do mundo. Essa região simboliza de forma singular a riqueza natural da América do Sul e a interdependência entre países cujas faunas e floras atravessam fronteiras”, declarou o presidente Lula.

“A convenção sobre espécies imigratórias nos lembra de uma mensagem simples, mas poderosa: migrar é natural. Ao cruzarem continentes, essas espécies revelam que a natureza não conhece limite entre estados”, afirmou.

“A onça-pintada movimenta-se em quase todo o território das Américas em busca de áreas para caçar e se reproduzir com segurança. Como ela, todos os anos, milhões de aves, mamíferos, répteis, aves, peixes e até insetos, atravessam continentes e oceanos. Essas jornadas conectam ecossistemas, preservam ciclos naturais e garantem o equilíbrio que torna a vida possível”, completou o presidente brasileiro.

Ainda em sua fala, o Chefe de Estado do Brasil citou as reduções do desmatamento da Amazônia e no Cerrado e o combate aos incêndios no Pantanal, destacando os objetivos brasileiros na temática ambiental, com foco na preservação.

“Que esta COP15 seja um espaço de avanços coletivos em defesa da natureza e da humanidade”, finalizou Lula.

Liana Feitosa, Dândara GenelhúFotos: Madu Livramento, Jornal Midiamax