03/02/2026 05:05

Pecuária brasileira mostra que é possível produzir mais e poluir menos com tecnologia e manejo inteligente

 medida que o mundo se prepara para a COP 30, a pauta climática ganha força e o campo brasileiro entra em cena como protagonista. Por muito tempo, a pecuária foi vista como vilã das emissões de gases de efeito estufa. Mas uma nova realidade vem se consolidando: a de um setor que, com ciência, tecnologia e gestão eficiente, transforma o desafio ambiental em oportunidade.

Com práticas sustentáveis e inovação no manejo, a pecuária brasileira tem mostrado que é possível reduzir emissões, aumentar o sequestro de carbono no solo e, ainda assim, ampliar a produtividade. Um exemplo claro dessa virada está no avanço genético e na eficiência alimentar dos rebanhos. “Animais mais produtivos e geneticamente superiores convertem melhor o alimento em carne ou leite, permanecem menos tempo no sistema e, por isso, emitem menos metano por quilo produzido. É um ganho duplo, ambiental e econômico”, explica o consultor em pecuária da Famasul, Diego Guidolin.

A transformação começa no trato do solo e chega até o estômago do gado. O manejo de pastagens, por exemplo, favorece a ciclagem de nutrientes e o aumento da fertilidade, enquanto dietas balanceadas e suplementação estratégica reduzem a fermentação ruminal, principal fonte de metano na pecuária. O resultado é um ciclo produtivo mais curto, rentável e limpo.

Nas fazendas, o cuidado com o solo também se tornou sinônimo de eficiência. A recuperação de áreas degradadas e o uso de sistemas integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), ajudam a restaurar ecossistemas, ampliar o estoque de carbono e diminuir a necessidade de abrir novas áreas. “Ao revitalizar pastos improdutivos, o produtor devolve vida ao solo e retira carbono da atmosfera”, reforça Guidolin.

A sustentabilidade, porém, não se limita ao pasto. Nos confinamentos, os dejetos ganham novo destino: biodigestores transformam resíduos em biogás e biofertilizantes, reduzindo emissões e substituindo insumos químicos. Compostagem e fertirrigação completam o ciclo de aproveitamento dos nutrientes, mostrando que nada se perde, tudo se transforma.

A tecnologia é o grande motor dessa revolução. Sensores, softwares e plataformas digitais já permitem monitorar em tempo real a produção de metano, o consumo de alimento e até a temperatura do ambiente, ajudando a medir e mitigar emissões com precisão. É o campo conectado, digital e cada vez mais sustentável.

Essas práticas se integram a programas como o Precoce MS, o Plano ABC+ e o Plano Nacional de Pecuária de Baixo Carbono (PNPB), que estabelecem diretrizes para o manejo eficiente e a mitigação de gases. Além disso, certificações como “Carne Carbono Neutro” e “Carne Baixo Carbono” valorizam o produto brasileiro e garantem transparência à cadeia produtiva.

Outro caminho promissor é o dos créditos de carbono. Cada hectare recuperado e cada tonelada de metano evitada podem se transformar em valor de mercado. Estima-se que o setor global de créditos ligados à pecuária movimente mais de US$ 14 bilhões até 2032, um salto que reforça o potencial econômico da sustentabilidade.

“O caminho para uma pecuária de baixo carbono já está traçado”, afirma Guidolin. “Agora, precisamos ampliar políticas de incentivo, difundir conhecimento técnico e fortalecer a governança do setor. Assim, o Brasil consolida seu papel como líder mundial na produção sustentável de alimentos e na corrida pela neutralidade climática atéAngela Schafer, de Campo Grande – 2050.”

Informações: Famasul/AcrissulFoto: Reprodução internet)