O salto no preço da carne
Segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), a categoria “carne” subiu quase 10% em 2024, atingindo sua maior pontuação desde a criação do índice, há 30 anos.
O aumento foi puxado, principalmente, pelas carnes de vaca e carneiro. Já os preços da carne suína e de frango se mantiveram estáveis.
A economista da FAO, Monika Tothova, explica que o recorde reflete uma combinação de dois fatores principais:
- Menor oferta de carne para exportação nos principais países produtores;
- Alta sustentada na demanda mundial, o que pressiona os preços para cima.
Além disso, surtos de doenças animais, incertezas nas políticas comerciais e eventos climáticos extremos, como secas, também afetaram diretamente a produção.
A crise da carne bovina
A carne bovina foi a mais impactada. A escassez de gado pronto para abate atingiu países como Estados Unidos e Brasil, grandes exportadores globais. Só nos EUA, o rebanho bovino chegou ao nível mais baixo dos últimos 70 anos.
Outro fator importante foi o aumento dos custos de produção: alimentação dos animais, energia, mão de obra e transporte ficaram mais caros, além das altas taxas de juros dificultarem o acesso ao crédito para pecuaristas.
Em muitos países, poucas empresas dominam o mercado de processamento da carne, o que reduz a concorrência e aumenta o poder de precificação.
O Brasil, mesmo perdendo espaço no mercado americano após tarifas impostas durante o governo Trump, conseguiu manter bons preços graças à forte demanda de outros países. Mas com os valores elevados, ainda existe resistência em reduzir o ritmo de abates, o que dificulta a recomposição dos rebanhos no curto prazo.
Alta nas cotações
De acordo com o World Beef Report, os preços da arroba do boi subiram:
- 54% na União Europeia
- 33% nos Estados Unidos
- 26% no Brasil
- 17% no México
Vale lembrar que o aumento no mercado de produção nem sempre reflete diretamente no preço final ao consumidor. Isso depende de impostos, cadeia logística, volume importado e concorrência entre supermercados e frigoríficos.
E por que leite e açúcar caíram?

Enquanto a carne subia, o preço global dos alimentos caiu 20% desde o pico em março de 2022 (logo após o início da guerra na Ucrânia).
Dois fatores puxaram essa queda:
Açúcar
- A produção no Brasil superou expectativas;
- Índia e Tailândia tiveram boas colheitas com chuvas favoráveis;
- Resultado: o preço internacional do açúcar caiu 21%, atingindo o menor patamar desde março de 2021.
Laticínios
- Queda no valor da manteiga e leite em pó;
- O preço do queijo caiu levemente;
- Setembro foi o terceiro mês consecutivo de recuo nos preços dos laticínios.
E os outros alimentos?
- Cereais (trigo, arroz e milho) caíram cerca de 7% no ano;
- Óleos vegetais, por outro lado, subiram 18% em relação ao ano passado.
A tendência é que o preço da carne continue elevado nos próximos meses, principalmente enquanto houver retenção de fêmeas para recompor o rebanho. Já o leite e o açúcar devem se manter em baixa, com colheitas favoráveis e boa oferta.
Acompanhar esses movimentos é essencial para produtores, exportadores e consumidores. O agronegócio continua sendo um setor sensível às variações climáticas, políticas e econômicas.








