14/03/2026 15:27

Preço do óleo diesel já passa de R$ 7 e deve subir ainda mais

Pesquisa feita pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíves (ANP) em Mato Grosso do Sul confirma o aumento de R$ 0,15 no preço do litro do diesel S-10 e de R$ 0,28 por litro no diesel comum.

O levantamento foi publicado na sexta-feira e foi feito ao longo da semana, já trazendo o reflexo do aumento no preço do barril de petróleo em razão dos conflitos no Oriente Médio. A tendência é de um aumento ainda maior no preço do combustível nos postos.

Também na sexta-feira, com o anúncio do aumento de R$ 0,38 por litro do combustível, seguido do anúncio do governo federal da redução de impostos, que deve tirar R$ 0,32 da composição do preço do combustível, houve um aumento de R$ 0,06 no atacado, que deve ter um impacto ainda maior nos postos de Mato Grosso do Sul nos próximos dias.

Em algumas cidades do interior do Estado, o litro do óleo diesel já está passando dos R$ 7. O preço máximo encontrado para o S-10 é de R$ 7,25 no interior do Estado, e o menor preço, de R$ 6,25, em Campo Grande.

Na semana anterior, o preço médio do diesel comum em Mato Grosso do Sul era de R$ 6,08; agora, é de R$ 6,09.

A maior variação, contudo, é na variedade de diesel que é a mais usada em caminhões de nova geração, menos poluentes, e também em utilitários (alguns esportivos) a diesel, com o preço médio do combustível passando de R$ 6,36 para R$ 6,51.

Os aumentos de preço não levam em consideração a alta anunciada pela Petrobras, mas trazem os impactos no preço internacional do combustível, uma vez que aproximadamente 30% do combustível é importado, sobretudo de países como a Rússia, que estão próximos à área de conflito.

Durante a semana, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul (Sinpetro-MS), Edson Lazarotto, descartou desabastecimento.

“Faltar combustível é improvável; o risco é o preço subir e as distribuidoras ajustarem suas ofertas”, disse Lazarotto ao Correio do Estado.

Aumento
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou na sexta-feira que a estratégia de preços da estatal funciona no cenário de volatilidade do petróleo. Ao explicar o reajuste do preço do diesel em R$ 0,38 por litro anunciado na sexta, a executiva disse que o aumento para a sociedade será de R$ 0,06 por litro.

“O reajuste está em consonância com nossa estratégia de preços. A adesão à MP [medida provisória do governo para tentar conter a alta dos preços] gera um valor recebido para a Petrobras de R$ 0,70. O governo desonera com a MP, R$ 0,32”, detalhou. A estatal não ajustou o preço da gasolina.

Após anunciar o reajuste do diesel em R$ 0,38 por litro mais cedo, a Petrobras informou que, para a estatal, o efeito combinado do ajuste de preços para as distribuidoras e o potencial benefício do programa de subvenção à comercialização do óleo é equivalente a R$ 0,70 por litro.

Seus efeitos para o consumidor são mitigados pelas medidas anunciadas na quinta-feira pelo governo, completa. A subvenção prevê o pagamento de R$ 0,32 por litro às empresas beneficiárias.

Na quinta-feira, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou três atos.

Foram dois decretos e uma medida provisória: o primeiro decreto zera as alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) na importação e comercialização do diesel; o segundo estabelece “medidas de transparência e fiscalização para o combate à especulação e preços abusivos no Brasil”.

Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), a MP institui subvenção ao óleo diesel para produtores e importadores, a ser operada pela ANP, condicionada à comprovação de repasse ao consumidor.

“O governo, estando em ano eleitoral, não foi para o confronto, tomando a decisão de reduzir tributos federais para tentar controlar esse efeito manada”, analisa o economista Eugênio Pavão. “Com a pressão, principalmente dos importadores, reajustou o diesel para compensar as ‘perdas’”, diz o economista.

Alta do diesel já pressiona o frete
Frete
O Correio do Estado foi a alguns postos em Campo Grande, e os caminhoneiros já descrevem as dificuldades. É o caso de João Renato de Castro, de 63 anos, que está há 42 anos na profissão, rodando pelas estradas do Brasil.

“A última vez que abasteci, gastei quase R$ 500. Acontece que sobe o valor do diesel, mas o valor do frete continua o mesmo e com isso a gente vai empurrando com a barriga”, disse o caminhoneiro, que conta que um tanque cheio do caminhão é de quase R$ 3 mil.

“Sou dono do meu próprio caminhão e, neste momento, só está compensando carregar se o cálculo sobre os custos ficar acima dos 50%; caso contrário, é mais vantajoso voltar para casa vazio”, destacou o caminhoneiro Silvio Prux, de 55 anos, que mora no Rio Grande do Sul, mas roda em rodovias do Centro-Oeste e aguarda liberação de carga junto a uma transportadora.

EDUARDO MIRANDA E ALISSON SILVA, CORREIO DO ESTADO – FOTO: GERSON OLIVEIRA