Com as mãos calejadas e a força da experiência, agricultores do interior de São Paulo seguem colhendo a safra de mandioca, uma cultura tradicional que segue sendo sinônimo de sustento para milhares de famílias. Na pequena propriedade de Tiago Coneglian, o que antes era apenas alimento na mesa passou a representar também fonte de renda.
Em dois hectares de terra, Tiago cultiva mandioca de mesa e para farinha. A seleção do que será comercializado é feita manualmente, ainda no canteiro. As raízes que não têm a qualidade esperada para venda ganham novo destino: viram alimento para o gado. “A gente aproveita tudo. O que não vai pro comércio alimenta os animais. Nada se perde”, explica o agricultor.
Desafios no campo e colheita manual
Como em todo cultivo agrícola, a produtividade da mandioca sofre com o impacto do clima. Em períodos de estiagem, a terra endurece, e o esforço para arrancar as raízes aumenta — além de reduzir a qualidade da colheita.
Apesar dos obstáculos, agricultores como Paulo Roberto da Silva mostram como a mandioca pode garantir uma renda estável ao longo do ano. Com mais de 600 mil pés plantados, ele realiza uma colheita contínua. “Levo de oito a dez caixas por dia. Não fico rico, mas também não fico sem dinheiro. Sempre tem um trocado entrando”, conta Paulo.
O manejo é feito de forma artesanal, com cuidado para controlar pragas e mato. “Tem que estar sempre atento, senão perde tudo”, afirma. A produção, segundo ele, se torna ainda mais eficiente em áreas amplas, onde o plantio é escalonado e o solo é bem manejado.
Panorama da produção no Estado
Segundo dados do IBGE, o Estado de São Paulo produziu mais de 1,6 milhão de toneladas de mandioca em 2024. Para 2025, a expectativa é de leve queda na produção, mas os números ainda são considerados positivos e suficientes para garantir o sustento de milhares de agricultores paulistas.
Em tempos de incerteza econômica, o cultivo de mandioca segue sendo uma alternativa resistente e acessível. Com baixo custo de produção, aproveitamento integral e forte demanda de mercado, ela continua sendo a raiz da segurança alimentar e econômica de muitas famílias do campo.








