Se realmente entrar em vigor a partir de primeiro de agosto, conforme foi prometido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros pode provocar queda no preço da carne consumida pelos sul-mato-grossenses, segundo avaliação do secretário Jaime Verruck, titular da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). A reportagem é do Correio do Estado.
Os Estados Unidos são o destino de cerca de 6% daquilo que Mato Grosso do Sul exporta e a carne bovina é o principal produto. E, segundo Jaime Verruck, caso a tarifa de 50% realmente entre em vigor em agosto, não haverá tempo hábil para buscar novos mercados e nem para antecipar os embarques, pois os navios chegariam lá depois desta data.
Então, explica Jaime Verruck, a tendência é de que sobre carne aqui e ocorra uma queda de preço no mercado interno, “o que é ruim”, na avaliação dele, que faz a análise pensando no bolso do pecuarista e do dono do frigorífico.
Essa queda, que seria benéfica para o consumidor local, porém, tende a ser passageira, pois no longo prazo os exportadores acabam encontrando novos mercados consumidores, caso as tarifas entrarem em vigor, explica o secretário.
O principal exportador de carne bovina de Mato Grosso do Sul aos EUA é o grupo JBS. E, como eles também tem frigoríficos nos Estados Unidos, existe a possibilidade, segundo o secretário, de haver um tratamento diferenciado para empresas que atuam nos dois países.
Ou seja, existe a possibilidade de os produtos que forem exportados pelo JBS ficarem parcialmente livres da nova taxa. Porém, os 10% que entraram em vigor no começo de maio estão incidindo também sobre as vendas do JBS.
Segundo dados da Carta da Conjuntura, da Semadesc, os Estados Unidos foram o segundo principal destino das exportações sul-mato-grossenses no primeiro semestre de 2025, atrás apenas da China.
Entre janeiro e junho, o Estado embarcou o equivalente a US$ 315,4 milhões em produtos para o mercado americano, um crescimento de 11,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para a China, porém, o valor chegou a US$ 2,48 bilhões. No primeiro semestre deste ano, os chineses foram responsáveis por 47% das exportações de Mato Grosso do Sul, ante 5,9% dos EUA.
NERI KASPARY E NAIARA CAMARGO – CORREIO DO ESTADO
Foto: Marcelo Victor







