O Pantanal ganhou destaque na AgriZone, na quarta-feira, 12, com o anúncio de mais de R$ 20 milhões destinados à evolução da Fazenda Pantaneira Sustentável, plataforma digital desenvolvida pela Embrapa Pantanal que monitora, com rigor científico, indicadores ambientais, socioculturais, produtivos e de bem-estar animal. A revelação ocorreu durante um painel que apresentou os resultados do projeto e deu início a um novo ciclo de cooperação em torno da tecnologia.
Para o diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Clenio Pillon, o investimento simboliza a força da integração entre ciência, desenvolvimento e políticas públicas. Segundo ele, a FPS reúne justamente os atributos que orientam a missão da instituição: pesquisa robusta, inovação aplicada e entregas que geram impacto direto na sociedade.
Fruto de mais de duas décadas de estudos realizados pela Embrapa Pantanal, a plataforma consolida boas práticas agropecuárias e tecnologias de ponta desenvolvidas ao longo dos 50 anos de atuação da unidade na região. Com base em um protocolo técnico rigoroso, o sistema permite ao produtor realizar uma gestão estratégica orientada por dados confiáveis, ampliando a eficiência produtiva e fortalecendo o compromisso socioambiental. O objetivo central é reconhecer propriedades que adotam práticas sustentáveis e posicionar o Pantanal como referência global em produção agropecuária de baixo impacto.
A chefe-geral da Embrapa Pantanal, Suzana Salis, destacou que levar o projeto à COP representa um marco para o bioma e para a ciência brasileira. Ela reforçou o caráter coletivo da iniciativa, construída em parceria com produtores, instituições públicas, organizações do terceiro setor e entidades internacionais. Para Suzana, a FPS demonstra que é possível conciliar produtividade, inclusão social e preservação ambiental em sintonia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e com os princípios de governança ESG.
Ao valorizar o modo de produção tradicional pantaneiro, o programa fortalece uma pecuária que convive com o ambiente, preserva pastagens nativas e favorece o manejo hídrico e o controle de incêndios. Esses fatores são decisivos tanto para mitigar os efeitos das mudanças climáticas quanto para garantir que os sistemas produtivos se adaptem às novas condições do bioma. A baixa lotação de gado, característica histórica da pecuária local, protege o solo, evita a degradação das pastagens e reduz a necessidade de abrir novas áreas, contribuindo para menores emissões de gases de efeito estufa.
Com essa abordagem, a Fazenda Pantaneira Sustentável se consolida como um modelo de economia de baixo carbono, baseado em soluções alinhadas à natureza. A integração entre produção, conservação e clima coloca o Pantanal na rota das estratégias globais de neutralidade de emissões e preservação da biodiversidade, em consonância com as metas do Marco Global da Biodiversidade e com as NDCs brasileiras.
A plataforma avança agora para um processo de certificação, que deverá conceder aos participantes um selo de sustentabilidade baseado em ciência e reconhecido nacional e internacionalmente. A expectativa é que o certificado gere vantagem competitiva aos produtores, ampliando o acesso a mercados
Angela Schafer, de Campo Grande Foto: Embrapa Pantanal








