02/02/2026 19:00

Uma Dúzia de Ovos a R$ 1.000

A Inflação é uma escolha do Governo

Inflação significa a perda do valor do dinheiro, que se manifesta na forma de aumento constante e generalizado de preços. A causa da inflação é a emissão descontrolada de moeda pelo Estado.

Essa emissão é uma escolha que o Estado faz.

A inflação não é provocada pela escassez de produtos. A escassez causa um aumento temporário de preços; os preços voltam a cair quando os produtos reaparecem. 

A inflação não é causada por excesso de consumo; depois de algum tempo a produção aumenta, satisfaz a demanda, e os preços caem. 

A inflação não é causada por ganância de produtores. Se algum produtor aumentar demais o preço do seu produto, outros produtores aproveitarão para vender mais barato e conquistar mercado. 

O aumento de preço de um ou dois produtos não é inflação. É apenas aumento de preços. Preços flutuam o tempo inteiro; em determinada época a couve-flor e o tomate estão mais caros na feira; depois os preços caem. Depois sobem de novo.

Inflação é o aumento constante e generalizado de preços. Quando a inflação acontece, todos os preços sobem e não descem mais. É o que sempre acontece no longo prazo, em quase todas as economias ocidentais. 

Em 1994 era possível comprar uma dúzia de ovos por 1 real. Hoje – em 2026 – uma dúzia custa por volta de R$ 14 no mercado aqui perto. Um dia, a dúzia de ovos vai custar R$ 1.000. Não há nenhuma dúvida disso, porque a moeda brasileira está sempre perdendo valor. A única dúvida é quando isso vai acontecer.

Essa perda, aparentemente irrefreável, do valor do dinheiro, é a inflação. Só que ela não é acidental e nem irrefreável. A inflação é provocada deliberadamente pelo Estado quando ele, através do Banco Central, emite moeda.

Os únicos culpados pela inflação são os bancos centrais, que desvalorizam o dinheiro para atender aos interesses do Estado.

A hegemonia da discussão sobre moeda foi conquistada por uma escola econômica doutrinária, a Keynesiana, que conseguiu convencer a mídia e os políticos que inflação não só é um fenômeno inevitável, como é também uma coisa boa. Essa escola de pensamento argumenta que alguma inflação é sempre necessária para que a economia se movimente, produza e gere empregos. 

Antes de tudo, essa é uma doutrina conveniente para o sistema político dominante, no qual o Estado monopoliza a emissão de moeda através de um Banco Central e usa essa emissão para financiar gastos e déficits sempre crescentes. Mas não há nada de natural ou necessário em um processo permanente de aumento da quantidade e erosão do valor do dinheiro. Uma moeda estável não é prejudicial à economia, muito menos uma moeda que, eventualmente, aumente de valor com o passar do tempo. 

A consequência principal desse pensamento pró-inflação é criar uma excelente justificativa para aquilo que o Estado faz de pior: cobrar um imposto brutal, universal e invisível através da perda de valor da moeda. 

O Estado faz enorme esforço para vestir essa espoliação com roupas científicas e morais. Os bancos centrais estabelecem metas de inflação. A calibragem dessas metas é feita usando “índices de inflação” que apenas tentam, de forma extremamente imperfeita, capturar a variação de preços de uma cesta de produtos criada por burocratas. Mas qual a razão para existência de uma “meta de inflação”? Por que por que a meta não é zero? Por que não preservar integralmente o valor do dinheiro mantendo inalterada a quantidade de dinheiro em circulação? 

A resposta técnica é que o pavor de uma deflação leva o Banco Central a promover “um pouco” de inflação como uma medida de segurança; assim, ainda que ele erre na calibragem, não há risco de ocorrer uma queda dos preços que caracteriza a deflação. A resposta completa é que, como já vimos, a inflação transfere riqueza do cidadão para o Estado, que é o maior de todos os devedores – e nenhum Estado que abrir mão disso.

Uma vez que o governo descobriu esse método efetivo e silencioso de pagar por suas despesas, ele ficou dependente disso, e não consegue parar de imprimir dinheiro. Como a quantidade de dinheiro em circulação aumenta cada vez mais, o dinheiro tem cada vez menos valor. O consumidor percebe essa perda de valor na forma de preços cada vez mais altos.