01/05/2026 09:30

Dourados registra 9ª morte por chikungunya; MS concentra 66% dos óbitos no Brasil

Dourados confirmou mais uma morte por chikungunya nesta quinta-feira (30) e elevou para nove o número de óbitos. Outros três casos seguem em investigação. Em Mato Grosso do Sul, já são 14 mortes confirmadas, o que representa 70% dos 21 registros no país.

A vítima mais recente é um homem indígena, de 29 anos, morador da Aldeia Bororó, que morreu na segunda-feira (27). Ele estava internado no Hospital da Vida e não apresentava comorbidades.

Nas últimas 24 horas, o município registrou 79 novos casos, totalizando 2.755 confirmações. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado nesta quinta-feira (30), Dourados acumula 5.271 casos prováveis da doença. Desse total, 2.516 ainda estão em investigação e 2.100 estão descartados, somando 7.371 notificações.

Dourados concentra mais da metade das 14 mortes por chikungunya registradas em Mato Grosso do Sul. Entre as vítimas confirmadas, oito são indígenas — dois bebês, de 1 e 3 meses, e cinco adultos, em sua maioria idosos (29, 69, 73, 77, 60, 55 e 63 anos). A única morte fora de território indígena ocorreu em 13 de abril — um homem de 63 anos, com comorbidades.

Dos três óbitos ainda em investigação, um é de indígena e dois de não indígenas. Os casos envolvem uma criança indígena de 12 anos; um idoso não indígena, de 84 anos, com doença arterial coronariana; e um homem de 50 anos, sem comorbidades informadas, que morreu na UPA em 27 de abril de 2026.

Mais de 2,4 mil casos em indígenas

Somente nos territórios indígenas, que abrigam mais de 20 mil pessoas, há 2.474 casos prováveis, sendo 1.759 confirmados e 715 ainda em investigação. É nessa população que se concentra a maior parte das mortes já confirmadas e parte dos óbitos em análise.

O boletim também informa que 35 pessoas permanecem internadas. Segundo a prefeitura, o aumento de casos tem provocado sobrecarga na rede de saúde, especialmente na Atenção Primária urbana, nos serviços de urgência e emergência e na ocupação de leitos hospitalares.

O que é a chikungunya

Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. (Foto: Arquivo Midiamax)

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.

Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.

Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.

Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Lethycia Anjos – Midiamax/Foto:Reprodução, Prefeitura de Dourados