03/08/2026 17:57

Gasolina com 32% de etanol chega aos postos e gera crítica entre motoristas

Desde o último sábado (1º), a gasolina passou a ter um percentual maior de etanol em sua composição, de 30% para 32%, em todo o Brasil, e a mudança começa a despertar desconfiança entre motoristas. Em Campo Grande, a principal preocupação dos consumidores é que o aumento nessa concentração faça com que os veículos consumam mais e reduzam a autonomia.

A medida foi aprovada pelo Governo Federal com a promessa de reduzir a dependência da gasolina importada e até mesmo gerar pequena queda no preço para o consumidor direto, cerca de R$ 0,03 de redução no valor na bomba dos postos. A medida tem validade inicial de 180 dias e poderá ser prorrogada pelo mesmo período.

Mas, na opinião de motoristas de Campo Grande, essa redução no valor não compensa em relação ao que o veículo deve passar a consumir com essa maior concentração na mistura dos dois combustíveis. O aposentado Orsi de Oliveira acredita que o carro deve aumentar o consumo e que o valor reduzido não compensa a mudança.

“Eu acho que deve consumir mais, porque o álcool é de consumo mais elevado que a gasolina. Outra coisa também é problema mecânico: a maioria dos motores é feita só para gasolina, mas essa mistura não pega bem, não vai ser boa. Já estava ruim. Agora piorou mais”, conta.

Quem divide a opinião com ele é o representante comercial Vicente Gomes, que precisa utilizar o carro para trabalhar e chega a rodar quase 1,5 mil quilômetros por mês. A preocupação dele é que essa mudança prejudique algo no veículo.

“Eu rodo mais de mil quilômetros por semana. O consumo deve aumentar. Eu acho que tinha que ser pelo menos uns 20%, não 30%. Eu acho que deve prejudicar algo no carro também”, explica.

O que dizem especialistas?

Apesar da percepção dos consumidores, especialistas afirmam que a mudança deve ter impacto praticamente imperceptível no dia a dia. O engenheiro Thiago de Souza Maciel Oliveira, professor do curso de Engenharia da Uniderp, explica que, embora o etanol tenha menor poder calorífico que a gasolina, o aumento de apenas dois pontos percentuais na mistura dificilmente será percebido pelos condutores, principalmente nos veículos flex.

A alteração, no entanto, segue cercada de debates. O presidente do Sinpetro-MS (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul), Edson Lazarotto, informou ao Jornal Midiamax que uma ação do Ministério Público Federal pede a suspensão da medida, alegando que os testes realizados não foram conclusivos e que os impactos ambientais não foram devidamente avaliados.

Já a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) também se posicionou contra a mudança, argumentando que veículos importados ou mais antigos, desenvolvidos para concentrações menores de etanol, podem enfrentar problemas de compatibilidade de materiais.

Por outro lado, o CNPE sustenta que os estudos técnicos não apontam riscos de danos aos automóveis com a adoção da nova mistura. Além disso, o governo federal estima que a maior participação do etanol possa reduzir a dependência da gasolina importada e gerar uma pequena queda no preço final do combustível ao consumidor.

Claudemir Candido/Midiamax – Foto:  Léo de França/Jornal Midiamax