A prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou nesta terça-feira (25) que a Prefeitura de Campo Grande respeita a investigação da Polícia Federal (PF) e sustentou que o recurso relacionado à aplicação feita no Banco Master já foi recuperado pelo município. A declaração foi dada após a PF cumprir nesta manhã mandados na Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) e no Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG).
Questionada sobre os desdobramentos da operação, Adriane disse que a aplicação foi realizada pela direção do instituto à época e relacionou a investigação a uma apuração de alcance nacional. Segundo ela, o dinheiro recuperado está depositado em uma conta judicial e deverá retornar aos credores até o fim de 2027.
“Respeito toda a investigação. Campo Grande é uma das cidades do Brasil que fez uma aplicação através da diretoria do IMPCG à época. Nós buscamos um caminho, recuperamos o recurso e esse recurso já está em uma conta à disposição do município”, afirmou Adriane.
A prefeita disse, porém, que ainda não havia recebido informações detalhadas sobre o material levado durante o cumprimento dos mandados na SAS. De acordo com Adriane, a Procuradoria do Município estava buscando esclarecimentos sobre a ação. Ela acrescentou que a Câmara Municipal já havia sido comunicada sobre aspectos relacionados ao recurso.
Adriane também argumentou que, quando a aplicação foi realizada, o Banco Master estava autorizado a operar e, segundo ela, não havia suspeitas que indicassem o problema que surgiria posteriormente. “Na época em que foi feita a aplicação, esse banco estava totalmente legalizado no país, sem nenhuma suspeita. Quem fez a aplicação acreditava que esse recurso seria investido de forma correta”, declarou.
Sobre o dinheiro, a prefeita reiterou que o valor foi recuperado e permanece aplicado enquanto aguarda a devolução. “Esse recurso foi investido e foi recuperado. Está tudo certo, está em uma conta rendendo e vai ser repassado às pessoas que fizeram o investimento”, disse. Adriane afirmou que a previsão é que a devolução ocorra até o fim de 2027. “Vamos aguardar informações mais detalhadas da Procuradoria, respeitar o andamento da investigação e deixar claro que o município conseguiu recuperar os valores vinculados à aplicação”, explica.
Entenda – A PF deflagrou a Operação Presciência, destinada a apurar possíveis irregularidades relacionadas à aplicação de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do município de Campo Grande.
A investigação teve início a partir de informações constantes de Relatório de Auditoria Direta – Letras Financeiras, elaborado pela Coordenação-Geral de Auditoria do Departamento dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) do Ministério da Previdência Social (MPS).
O relatório apontou possíveis irregularidades no processo decisório que resultou no investimento de R$ 1,2 milhão pelo IIMPCG em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. Há indícios de que servidores envolvidos no processo decisório, mediante ações ou omissões, teriam deixado de observar os procedimentos técnicos e administrativos aplicáveis, expondo o patrimônio do RPPS municipal a riscos.
Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e determinadas medidas de afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. As medidas cautelares foram deferidas pelo Juízo da 3ª Vara Federal de Campo Grande.
O inquérito policial apura, em tese, a prática dos crimes de gestão temerária, corrupção passiva e ativa.
Carlos Guilherme e Iury de Oliveira/A Crítica – Foto: Divulgação







