25/08/2026 08:56

Exportações de carne bovina crescem 42,6% em sete meses

A carne bovina ganhou força nas exportações de Mato Grosso do Sul este ano e já movimenta mais de US$ 1,3 bilhão no acumulado de janeiro a julho. Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que o Estado exportou US$ 1,33 bilhão em produtos bovinos no período, alta de 42,6%, em relação aos US$ 932,8 milhões registrados nos sete primeiros meses de 2025.

Em quantidade, o avanço também foi expressivo. Os embarques passaram de 175,8 mil toneladas, entre janeiro e julho do ano passado, para 211,8 mil toneladas, no mesmo período deste ano, crescimento de 20,4%. O resultado indica que, além de vender mais carne ao exterior, o Estado também conseguiu obter maior valor por tonelada comercializada.

Ainda conforme os dados do Mdic, o desempenho é sustentado principalmente pela carne bovina desossada congelada, que concentra a maior parcela das vendas externas. De janeiro a julho, esse produto respondeu por US$ 1,04 bilhão, contra US$ 671,9 milhões no mesmo período de 2025, alta de 55%. A quantidade passou de 132 mil toneladas para 169,4 mil toneladas, aumento de 28,3%.

Na sequência aparecem as carnes desossadas frescas ou refrigeradas, cujas exportações alcançaram US$ 281,5 milhões, ante US$ 250,6 milhões no ano passado, crescimento de 12,3%. Por sua vez, a quantidade exportada caiu de 42,2 mil toneladas para 41,4 mil toneladas.

As carnes bovinas salgadas, em salmoura, secas ou defumadas registraram retração. A receita caiu de US$ 10,3 milhões, em 2025, para US$ 7,2 milhões, neste ano, enquanto a quantidade passou de 1,65 mil toneladas para pouco mais de mil toneladas.

DESTINO
A China aparece como o principal mercado da carne bovina de Mato Grosso do Sul e apresentou forte crescimento. Somente os embarques de carne bovina congelada para o país movimentaram US$ 586 milhões de janeiro a julho deste ano, contra US$ 318,5 milhões no mesmo intervalo de 2025. O crescimento foi de 84%.

Os Estados Unidos também ampliaram significativamente as compras, mesmo com as medidas protecionistas adotadas pelo país. Considerando carnes congeladas, frescas ou refrigeradas e salgadas, o mercado norte-americano respondeu por US$ 243,3 milhões em vendas de Mato Grosso do Sul nos sete primeiros meses deste ano. No mesmo período de 2025, foram US$ 171,3 milhões, alta de cerca de 42%.

O avanço confirma a tendência observada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul). Para a consultora de economia da federação, Eliamar Oliveira, o desempenho está relacionado principalmente ao fortalecimento da demanda internacional e à competitividade da proteína brasileira.

“Mesmo com a redução no número de animais abatidos, as exportações cresceram em receita, mostrando que o desempenho não esteve condicionado apenas ao aumento da oferta”, explica.

A valorização da carne também teve papel importante no resultado. De acordo com a Famasul, o preço médio por tonelada exportada por MS avançou 19,7% no primeiro semestre, enquanto o preço da celulose, outro dos principais produtos da pauta estadual, recuou cerca de 7,8%.

Com isso, a proteína vem ganhando participação nas exportações do agronegócio. No primeiro semestre, a carne bovina respondeu por 20,6% do valor exportado pelo setor, aproximando-se da celulose, que representou 25,3%.


A soja, líder da pauta do agronegócio estadual, também teve desempenho positivo, com crescimento de 30,5% na receita. Já a celulose registrou queda de 16,6%, reflexo de um cenário internacional menos favorável para os preços do produto.

AGRONEGÓCIO
Segundo a Famasul, as exportações do agronegócio de MS somaram US$ 5,68 bilhões no primeiro semestre, alta de 12,4% em relação ao mesmo período de 2025. O setor respondeu por 96,1% de tudo o que o Estado vendeu ao exterior nos seis primeiros meses do ano.

Para Eliamar, o ganho de participação da carne não significa necessariamente uma substituição da celulose na pauta exportadora, mas uma mudança na participação relativa das cadeias produtivas.

“A carne bovina ganhou espaço em função de condições favoráveis de mercado, enquanto a celulose enfrentou um cenário de preços internacionais menos favoráveis”, afirma.

A cadeia também contribuiu para o mercado de trabalho. No primeiro semestre, a criação de bovinos registrou saldo positivo de 455 vagas formais em Mato Grosso do Sul. Considerando o segmento da pecuária, o saldo chegou a 611 novos postos de trabalho no período.

SÚZAN BENITES – CORREIO DO ESTADO/FOTO: GERSON OLIVEIRA