17/09/2026 05:26

Produção de soja e milho cresce em MS, mas mecanização reduz empregos na lavoura

Mato Grosso do Sul alcançou 16,7 milhões de toneladas de soja e 11,1 milhões de toneladas de milho na safra 2025/2026, mas o avanço da produção não acompanha o crescimento do emprego direto nas lavouras. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mostram que a mecanização e a automação reduziram a quantidade de trabalhadores ocupados nas duas culturas em 2025, enquanto agroindústria, agrosserviços e atividades de suporte ampliaram a participação no mercado de trabalho do agronegócio.

O Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro aponta que o setor empregou 28,40 milhões de pessoas no país em 2025, maior patamar da série histórica iniciada em 2012. O resultado representa 26,3% da população ocupada brasileira e um aumento de 601.806 trabalhadores em relação ao ano anterior.

Apesar do recorde, o segmento primário, que reúne as atividades realizadas dentro da porteira, perdeu 87.378 trabalhadores, uma redução de 1,1%. Na soja, a queda foi de 6,9%, com 31.987 pessoas a menos, enquanto o milho registrou recuo de 10%, equivalente a 43.087 trabalhadores.

Mais empregos fora da lavoura

A agroindústria aumentou as contratações em 1,4% e os agrosserviços cresceram 6,1% em 2025. O movimento indica uma mudança na distribuição da mão de obra, com maior demanda por atividades ligadas ao processamento, transporte, assistência técnica, manutenção e operação de máquinas

Segundo o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, a redução do emprego direto nas lavouras está relacionada ao avanço tecnológico no campo

“No caso da soja e do milho, a mecanização e a automação reduzem determinadas atividades manuais. Ao mesmo tempo, a cadeia produtiva mantém demanda por trabalhadores em áreas como agroindústria, agrosserviços, assistência técnica, logística, manutenção e operação de máquinas”

O levantamento do Cepea/CNA também mostra que o agronegócio brasileiro iniciou 2026 com 27,79 milhões de pessoas ocupadas no primeiro trimestre, queda de 2,1% em relação aos três meses anteriores. A participação do setor no total de ocupados do país passou de 26,03% para 25,73%

Emprego formal acompanha calendário agrícola

Em Mato Grosso do Sul, a produção de soja e milho tem participação relevante na economia e nas exportações. O complexo soja respondeu por US$ 2,94 bilhões dos US$ 10,1 bilhões exportados pelo agronegócio estadual em 2025

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o Estado encerrou o ano com saldo positivo de 19.756 empregos formais, mas a agropecuária respondeu por 1.256 vagas, abaixo dos saldos registrados na construção civil, nos serviços, na indústria e no comércio

A contratação de trabalhadores rurais também sofre influência do calendário agrícola. Em abril de 2026, a agropecuária registrou saldo negativo de 115 vagas no Estado, enquanto, em agosto de 2025, o setor teve perda de 175 postos formais, período que coincidiu com o vazio sanitário da soja

O intervalo, que vai de 15 de junho a 15 de setembro em Mato Grosso do Sul, impede a manutenção de plantas vivas da cultura nas lavouras para controlar a ferrugem asiática. Com o fim do vazio sanitário em 15 de setembro, o plantio da nova safra foi liberado a partir de 16 de setembro, e a demanda por mão de obra volta a acompanhar o calendário de produção

Escolaridade influencia remuneração

Um levantamento da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Caged de 2021, mostra diferenças de remuneração entre trabalhadores da agropecuária conforme o nível de escolaridade

Entre as mulheres empregadas no setor nos municípios analisados, a remuneração média de quem tinha ensino superior completo foi de R$ 5.138,46, enquanto aquelas com ensino médio receberam R$ 2.378,29, uma diferença superior ao dobro

Para Raphael Gimenes, a qualificação passa a ter papel central na transformação do trabalho rural, com a expansão de atividades que exigem conhecimentos técnicos e capacidade de operar equipamentos e ferramentas digitais

“A tecnologia aumenta a necessidade de trabalhadores preparados para operar máquinas, utilizar ferramentas digitais e atuar em atividades de gestão e suporte à produção. A qualificação passa a fazer parte da estrutura necessária para acompanhar as mudanças na agricultura”

Ana Lorena FrancoRCN 67/Com informações da Aprosoja/MS Foto: Reprodução/Agência de Notícias de MS